Saiba como um astronauta se sente nas primeiras horas em microgravidade

Saiba como um astronauta se sente nas primeiras horas em microgravidade

Por Fidel Forato | 10 de Dezembro de 2020 às 12h00
Roscosmos

Pesquisadores já investigam como viagens espaciais podem afetar a atividade de células tanto animais quanto vegetais. Agora, um grupo de cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) procura entender como a microgravidade afeta, especificamente, o sistema nervoso humano, e como essas alterações modificam o controle que astronautas têm sobre o corpo ao pegar um objeto no espaço, por exemplo. 

Apelidado de Grip, o experimento estuda como o sistema nervoso central — formado pelo encéfalo e pela medula espinhal — controla o movimento e a força que os astronautas usam, na hora, de pegar objetos com as mãos. Na Terra, ao levantar uma xícara de café, você está movendo ela contra a gravidade, mas essa atividade "simples" é bastante diferente em condições de microgravidade. 

Normalmente, crianças aprendem o quanto de força precisam usar para erguer alguma coisa e, inclusive, fazem cálculos mentais do quanto seria necessário para levantar um objeto mais pesado. Só que na Estação Espacial Internacional (ISS) ou em uma viagem para a Lua, astronautas precisam reaprender como pegar uma ferramenta, por exemplo. Outra questão é compreender se esses novos aprendizados afetariam a vida depois na Terra.

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O que acontece com o sistema nervoso no espaço?

(Imagem: Reprodução/ ESA)

A imagem acima parece que foi mal configurada na página, mas não, foi uma escolha proposital. Esse desconforto em tentar enxergar uma cena é como os astronautas se sentem nas primeiras horas de uma viagem especial, em condições de microgravidade. Isso porque, na ausência do peso, o corpo e o sistema nervoso central perdem as referências usadas para se definirem no espaço. Em outras palavras, a pessoa não sabe mais o que está acima ou abaixo.

A readequação exige um treinamento e, nesse aspecto, os pesquisadores da ESA estão estudando a extensão desse ajuste necessário para a retomada da coordenação motora. Outra curiosidade é que nem o ouvido interno pode guiar mais qual é o caminho para cima, já que ele também se confunde. 

Começo da pesquisa espacial

Desde 2016, o experimento Grip busca entender de que forma a microgravidade afeta a percepção do espaço. Para isso, os astronautas participantes seguram um objeto equipado com instrumentos de medição entre o polegar direito e o indicador, enquanto realizam uma sequência de movimentos prescritos na microgravidade. Antes de operar na ISS, o experimento foi realizado em uma série de voos parabólicos. 

Microgravidade afeta o sistema nervoso de astronautas (Imagem: Reprodução/ Colin Behrens/ Pixabay)

Até o momento, os cientistas descobriram que a exposição à microgravidade, durante um pequeno período (o tempo dos voos parabólicos), induz mudanças sutis em como as forças usadas para segurar um objeto, por exemplo, são coordenadas. Mesmo no espaço, o cérebro humano continua a antecipar os efeitos da gravidade da Terra e repte isso ao pegar qualquer objeto. Agora, com os testes na ISS, será possível verificar essas mudanças em maiores períodos e os seus possíveis efeitos.

Os resultados do Grip também devem explicar, em partes, os riscos potenciais para os astronautas à medida que se movem entre diferentes ambientes gravitacionais. Outra vantagem será no estudo do design para naves e dos ambientes internos para que a tripulação consiga se sentir cada vez mais confortável. Esse design inteligente seria imprescindível para que viagens até Marte se tornem realidade, um dia.  Além disso, os resultados do experimento aprofundarão como a ciência entende a fisiologia humana. De forma prática, as descobertas podem aperfeiçoar como engenheiros projetam próteses.

Fonte: ESA (1) e (2)  

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