Sagittarius A*: veja a 1ª foto do buraco negro no centro da Via Láctea

Sagittarius A*: veja a 1ª foto do buraco negro no centro da Via Láctea

Por Daniele Cavalcante | Editado por Rafael Rigues | 12 de Maio de 2022 às 10h56
EHT Collaboration

A primeira imagem do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea foi revelada na manhã desta quinta-feira (12), pelo Event Horizon Telescope (EHT). Esta é a segunda vez que a colaboração global consegue registrar imagens de buracos negros — a primeira vez foi em 2019, na histórica foto do buraco negro supermassivo da galáxia M87.

Durante uma conferência à imprensa o EHT, formado em 2015, reuniu especialistas para apresentar a imagem, explicar o processo que levou à sua captura e contar um pouco sobre o objeto no coração da nossa galáxia. Sagittarius A* (ou Sgr A*) não é fácil de capturar — nenhum buraco negro é, mas este apresentou desafios peculiares.

Uma das principais dificuldades é a poeira densa e opaca no centro galáctico, que impede a radiação emitida pelo ambiente ao redor do buraco negro de chegar até nossos telescópios. Outro problema é a intensidade dessa radiação: o Sgr A* não é tão ativo quanto o M87*.

Por fim, como estamos na própria Via Láctea, é mais difícil "enxergar" os objetos dentro dela. O centro galáctico está a cerca de 26 mil anos-luz de distância de nós, e, no meio do caminho, há muita matéria. Mesmo assim, o EHT conseguiu, com a ajuda de observatórios de todo o mundo, capturar a fraca luz que consegue atravessar toda essa matéria, e formar a imagem abaixo:

A primeira imagem do buraco negro supermassivo Sagittarius A* (Imagem: Reprodução/EHT Collaboration)

O que estamos observando nessa imagem é, na verdade, o gás ao redor do buraco negro, formado por matéria que se aproximou demais do objeto e gira ao seu redor em velocidade próxima à da luz. O buraco negro, em si, é a sombra que vemos dentro do anel luminoso.

Assim como a imagem do buraco negro da galáxia M87*, essa foto não é tão impressionante quanto as simulações da NASA, ou o que vemos em filmes de ficção científica. Para alguns, pode parecer uma imagem "ruim", ou de baixa resolução, mas trata-se de um feito histórico e importante para a ciência humana. E o EHT é a única iniciativa capaz de realizá-lo.

Qual a importância da imagem do buraco negro Sagittarius A*?

Essa imagem é o conjunto de muitas imagens capturadas por vários observatórios, então a primeira implicação da foto é que não restam dúvidas de que o objeto Sagittarius A* é mesmo um buraco negro. Embora os cientistas tenham chegado a essa conclusão há algum tempo (descoberta que, aliás rendeu um Prêmio Nobel a Reinhard Genzel e Andrea Ghez em 2020), ainda havia estudos propondo que o Sagittarius A* seria matéria escura, entre outras sugestões.

Cientistas esperavam estudar a órbita das estrelas que orbitam o Sgr A*, conhecidas como estrelas S, para obter uma conclusão definitiva sobre o assunto. Entretanto, a imagem do EHT veio primeiro e parece não deixar mais dúvidas.

Por fim, as observações ajudarão os cientistas em novos estudos sobre buracos negros e em futuros testes da relatividade geral naquilo que é conhecido como os campos gravitacionais mais poderosos do universo, os buracos negros. Estudos sobre o disco de acreção de matéria (o anel alaranjado da imagem) e emissão nas bordas deverão trazer novas percepções sobre esses objetos incríveis.

Como tirar foto de um buraco negro?

O EHT é uma colaboração global que conectou oito observatórios de rádio ao redor do planeta para formar um único telescópio virtual do “tamanho da Terra”. Em 2017, eles observaram a região central da Via Láctea e obtiveram várias imagens da fonte de rádio conhecida como Sagittárius A*.

Essa imagem, na verdade, é a média de milhares de imagens criadas usando diferentes métodos computacionais. Todos eles se ajustam com precisão aos dados obtidos pelo EHT. É importante lembrar que as cores são falsas, porque os dados são obtidos principalmente em rádio, invisível aos olhos humanos.

Assim, a imagem média retém os recursos mais comuns detectados nas milhares de imagens obtidas e exclui os recursos que aparecem com pouca frequência. O vídeo acima ilustra este processo, comparando com o mesmo método usado para o buraco negro da galáxia M87.

A rede de observatórios usada inclui o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA); Atacama Pathfinder EXperiment (APEX) no deserto de Atacama no Chile; Telescópio IRAM de 30 metros; James Clark Maxwell Telescope (JCMT); Large Millimeter Telescope (LMT); Submillimeter Array (SMA); Submillimeter Telescope (SMT) e o South Pole Telescope (SPT).

Fonte: ESO

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