Pulverização catódica | NASA sugere razão pela qual Marte perdeu toda a sua água
Por João Melo • Editado por Melissa Cruz Cossetti |

A missão Mars Atmosphere and Volatile Evolution (MAVEN), da NASA, observou pela primeira vez em tempo real o fenômeno conhecido como pulverização catódica. Publicado no final de maio na revista Science Advances, o estudo que análisou dados desse processo é fundamental para a compreensão das condições que permitiram — ou impediram — a existência de água líquida na superfície de Marte.
Há bilhões de anos, o Planeta Vermelho perdeu seu campo magnético protetor, deixando sua atmosfera exposta ao vento solar e à intensa atividade do Sol. Essa exposição provocou um processo de erosão atmosférica, tornando a presença de água líquida instável na superfície marciana e levando grandes quantidades a escaparem para o espaço.
A pulverização catódica, um processo evasivo de perda atmosférica em que átomos são ejetados pela colisão com partículas altamente energizadas, pode ajudar a explicar a atual ausência de água líquida em Marte.
“É como fazer uma bomba d'água numa piscina. A bola de canhão, neste caso, são os íons pesados colidindo com a atmosfera a altíssima velocidade, espalhando átomos e moléculas neutras para fora”, explica Shannon Curry, pesquisadora principal da missão MAVEN, em comunicado.
Pulverização catódica em tempo real
Pesquisas anteriores já haviam identificado indícios desse fenômeno, mas a nova investigação se destaca por ter conseguido observá-lo em tempo real.
Para isso, os cientistas utilizaram três instrumentos a bordo da MAVEN: o Analisador de Íons do Vento Solar, o Magnetômetro e o Espectrômetro de Massa de Gás Neutro e Íon. Ao longo de vários anos, foram feitas medições nas baixas latitudes dos lados diurno e noturno de Marte.
Os dados revelaram a presença de isótopos leves de argônio em altitudes elevadas, exatamente onde partículas energizadas colidiam com a atmosfera. O argônio é um gás nobre que não reage com outros elementos, servindo como um marcador confiável da perda atmosférica. Sua detecção nesses pontos permitiu aos cientistas acompanhar diretamente a ação da pulverização catódica.
A equipe liderada por Curry também descobriu que o fenômeno ocorre em uma taxa quatro vezes maior do que o estimado anteriormente — e se intensifica durante tempestades solares.
“Esses resultados confirmam o papel da pulverização catódica na perda da atmosfera de Marte e na história da água no planeta”, afirmou a cientista.
Confira o estudo na íntegra na Science Advances.
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Fonte: NASA