Presença de gás poluente pode indicar civilizações avançadas em outros planetas

Presença de gás poluente pode indicar civilizações avançadas em outros planetas

Por Danielle Cassita | 11 de Fevereiro de 2021 às 23h00
NASA Ames/SETI Institute/JPL-Caltech

A busca por vida em outros planetas é uma questão que inquieta os cientistas há muito tempo. Agora, um novo estudo propõe que os pesquisadores busquem por civilizações tecnologicamente avançadas em sistemas estelares próximos ao procurar pela presença de dióxido de nitrogênio na atmosfera desses mundos. Aqui na Terra, esse gás pode é produzido pela queima de combustíveis fósseis, principalmente, em processos industriais, mas também é fruto de processos naturais, incluindo biológicos.

Como não é possível enviar naves para planetas tão distantes quanto aqueles candidatos a abrigar formas de vida, a única forma de saber o que existe nas atmosferas deles é com observações a distância, por meio de telescópios. Assim, caso encontremos gases que só podem ser produzidos em processos biológicos, isso poderá ser uma potencial confirmação de que ali existe alguma forma de vida. Agora, se encontrarmos o que chamamos de tecnoassinatura — ou seja, sinais de substâncias que somente podem ser produzidas por meios tecnológicos —, isso poderá indicar que, naquele planeta, existe uma civilização avançada, gerando o poluente por meio de processos industriais (assim como fazemos na Terra).

Ilustração de um exoplaneta tecnologicamente avançado, com cores exageradas que representam a poluição atmosférica (Imagem: Reprodução/Reprodução/NASA/Jay Freidlander)

A equipe trabalhou com modelos computacionais para verificar como o dióxido de nitrogênio poderia gerar sinais detectáveis pelos telescópios que temos, bem como pelos mais modernos, que ainda serão lançados. Eles descobriram que, se um exoplaneta como a Terra orbitasse uma estrela como o Sol em sua zona habitável, uma civilização que produz a mesma quantidade de dióxido de nitrogênio que a nossa poderia ser identificada a até 30 anos-luz de distância, levando cerca de 400 horas de observação. Eles também descobriram que estrelas mais frias e comuns que o Sol, como as do tipo K e M, produziriam um sinal mais forte e fácil de ser identificado, porque elas produzem menos luz ultravioleta que afeta o gás.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Ravi Kopparapu, principal autor do estudo, diz que a maior parte do dióxido de nitrogênio na Terra vem de processos da ação humana, como as emissões causadas por veículos e energia obtida a partir de combustíveis fósseis: “na atmosfera baixa, o gás gerado pelas atividades humanas é dominante quando comparado às fontes não-humanas”, explica. “Portanto, observar o dióxido de nitrogênio em um planeta habitável poderia, potencialmente, indicar a presença de uma civilização industrializada”.

Este estudo é o primeiro a trabalhar com o dióxido de nitrogênio como uma possível tecnoassinatura — os demais examinaram os chamados clorofluorcarbonetos (CFC), produtos industriais que são nocivos à camada de ozônio da Terra. Apesar de não serem produzidos por processos biológicos, os CFCs seriam até uma tecnoassinatura mais óbvia que o dióxido de nitrogênio, mas são tão específicos que, talvez, não estejam presentes em mais nenhum lugar além do nosso planeta.

Contudo, é necessário manter a cautela, porque o dióxido de nitrogênio também pode ser produzido naturalmente — então os cientistas terão que analisar cuidadosamente os exoplanetas para identificar possíveis excessos causados por sociedades tecnológicas: “se observarmos mais gás do que nossos modelos sugerem que seja plausível para fontes não-industriais, o resto poderia ser atribuído à atividade industrial, mas sempre existe a possibilidade de um falso positivo na busca por vida”, diz Giada Arney, co-autor do estudo.

O artigo será publicado na revista Astrophysical Journal, e pode ser acessado na versão pré-print, sem revisão por pares, no repositório online arXiv.

Fonte: NASA

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.