Possível grande impacto explica origem do eixo de rotação inclinado de Urano

Por Patrícia Gnipper | 24 de Janeiro de 2019 às 23h10
Lazca

Urano é o planeta mais misterioso do Sistema Solar. Pouco se sabe, de fato, sobre este gigante gasoso que é o terceiro maior planeta de nosso sistema, e possui anéis ao seu redor, ainda que não tão majestosos quanto os anéis de Saturno. Mas, agora, pode ser que estejamos próximos de descobrir como foi que Urano teve seu eixo de rotação inclinado, enquanto todos os demais planetas do nosso quintal espacial têm eixos de rotação mais próximos da vertical.

Visitamos Urano uma única vez na história da exploração espacial, o que aconteceu em 1986 com a sonda Voyager 2. E o planeta que é constante vítimas de piadas escatológicas em inglês tem esse eixo de rotação bizarro, inclinado quase em ângulo reto. Assim, no verão, seu polo norte aponta quase diretamente para o Sol e, ao contrário de Saturno, seus anéis estão posicionados na vertical, enquanto suas luas orbitam o planeta em torno de seu equador inclinado. Outros mistérios de Urano são sua temperatura surpreendentemente fria e um campo magnético descentralizado.

A arte mostra Urano orbitando o Sol e seu eixo inclinado, com anéis na vertical (Imagem: Derekscope)

Cientistas suspeitam que Urano já foi mais parecido com seus irmãos de Sistema Solar, mas algum evento cósmico brutal teria causado essa bagunça toda. E a nova pesquisa, publicada no Astrophysical Journal nesta semana, apresenta pistas que parecem bastante palpáveis quanto aos motivos pelos quais Urano é tão diferente.

Nos anos de formação do Sistema Solar, tudo era muito violento por aqui. Os protoplanetas colidiam entre si em impactos gigantescos que ajudaram a criar os mundos que existem hoje (inclusive, há quem afirme que a Terra há bilhões de anos se chocou contra um planeta do tamanho de Marte chamado Theia, trazendo para cá os elementos necessários à vida e também formando a nossa Lua), e muitos pesquisadores planetários acreditam que o giro de Urano foi consequência de uma colisão dramática.

Então, construindo modelos em computador, os autores do estudo simularam eventos cósmicos do tipo, tentando descobrir se um impacto de enormes proporções teria sido capaz de alterar o eixo de rotação de Urano. O computador foi alimentado com as equações que descrevem como a física, a gravidade e a pressão dos materiais funcionam, para que a máquina calculasse como as partículas do Sistema Solar evoluiriam com o tempo à medida em que elas se colidiam umas com as outras.

Então, as simulações mostraram que um corpo com pelo menos duas vezes a massa da Terra poderia, facilmente, criar a estranha rotação do planeta gasoso. Ainda, o material do corpo impactante acabaria se espalhando em uma camada fina e quente perto da borda da camada de gelo em Urano, sob sua atmosfera de hidrogênio e hélio — e isso poderia inibir a mistura de materiais no planeta, prendendo o calor de sua formação no interior. Resultado disso, portanto, seria temperaturas externas bastante frias, exatamente como observado hoje em dia no planeta em questão.

Fonte: The Conversation

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