Plutão pode ter se formado a partir de um bilhão de cometas

Por Patrícia Gnipper | 24 de Maio de 2018 às 14h56
photo_camera NASA

Enquanto as discussões a respeito da classificação de Plutão como um planeta-anão ou como um "planeta de verdade" continuam, pesquisadores do Southwest Research Institute estão analisando a composição química do objeto na tentativa de descobrir como ele se formou. E a conclusão inicial indica que Plutão pode ser resultado do choque e, consequentemente, da união, de um bilhão de cometas.

A composição química deste que é um dos objetos mais intrigantes do Sistema Solar é curiosamente variada. A região de Tombaugh – aquela cujo formato é o de um coração – apresenta colorações e variações de textura, enquanto a Planície Sputnik tem nitrogênio em forma de gelo. E o nitrogênio, que é abundante por lá, contribui para com as características dinâmicas da superfície do planeta-anão, considerando seus processos geológicos e atmosféricos em andamento.

Segundo o estudo dos astrônomos, Plutão, que se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos, seria basicamente um cometa gigante. Contudo, a pesquisa ainda é bastante preliminar, sendo necessário um maior aprofundamento a fim de se concretizar essa teoria, apelidada de "modelo cosmocromático da formação de Plutão".

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Christopher Glein e J. Hunter Waite Jr., pesquisadores do estudo, chegaram a essa conclusão ao estudar dados da missão New Horizons, da NASA, juntamente com dados da missão Rosetta, da ESA, esta que foi enviada para o cometa 67P recentemente. "Encontramos uma consistência intrigante entre a quantidade estimada de nitrogênio dentro da Planície Sputnik e a quantidade que seria esperada se Plutão fosse formado pela aglomeração de cerca de um bilhão de cometas ou outros objetos similares à composição química de 67P", explicou Glein.

A New Horizons forneceu informações quanto à composição química da atmosfera e superfície de Plutão (Imagem: NASA)

Como parte do estudo, a equipe estimou a quantidade de nitrogênio e outras substâncias químicas existente em Plutão hoje em dia, estimando também o quanto pode ter vazado para o espaço ao longo do tempo. Uma das conclusões sugeridas é de que o nitrogênio em Plutão é de uma "espécie primordial", o que significa que o planeta-anão gradualmente acumulou o elemento ao longo do tempo via acreção cometária.

Os pesquisadores também tentaram explicar a ausência aparente de monóxido de carbono em Plutão: isso aconteceria porque, na verdade, o monóxido de carbono estaria profundamente enterrado na superfície congelada do objeto, ou, ainda, teria sido destruído quando a água líquida ainda existia na superfície. "Nossa pesquisa sugere que a composição química inicial de Plutão, herdada de blocos de construção de cometas, foi quimicamente modificada por água líquida, talvez até mesmo em um oceano subterrâneo", explicou Glein.

Ainda que tudo faça sentido, vale lembrar que o modelo solar de formação de Plutão também funciona em teoria e, portanto, ainda há muito a ser estudado até que a ciência determine, com mais exatidão, como foi que o planeta-anão se formou e se tornou o que é hoje. Além disso, a missão New Horizons foi apenas a primeira a estudar, com afinco, Plutão e suas luas; ou seja, apenas "arranhou a superfície" das descobertas sobre o objeto que se tornou um dos queridinhos dos humanos no que diz respeito ao Sistema Solar.

Fonte: Gizmodo

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