Pesquisadores encontram pistas de uma galáxia perdida devorada por Andromeda

Por Jessica Pinheiro | 24 de Julho de 2018 às 17h03

A galáxia de Andromeda é a mais próxima de nós e, de acordo com a mais recente dedução de cientistas da Universidade de Michigan, ela pode ter destruído e engolido uma outra galáxia próxima há pelo menos dois bilhões de anos — galáxia esta que seria a "irmã perdida" da Via Láctea. A suposição, no entanto, não é infundada: essa área que foi aparentemente devorada deixou muitas pistas do que aconteceu com ela.

A história começa por um quase invisível círculo de estrelas maiores do que as de Andromeda, além de um caminho elusivo de astros e uma isolada e compacta galáxia, a M32. Essa área dizimada está sendo atualmente estudada para que os astrônomos consigam entender como galáxias circulares como a Via Láctea evoluem e sobrevivem a grandes fusões.

Um espectro simples das galáxias e constelações de que se sabe a respeito. (Imagem: Astro Bob)

Sendo a terceira maior integrante do Grupo Local de galáxias depois da Via Láctea e da Andromeda, a incomum galáxia chamada de M32 incorpora as principais pesquisas de Richard D’Souza e Eric Bell, ambos do Departamento de Astronomia da Universidade de Michigan. Os achados da dupla foram publicados na Nature Astronomy, incluindo as evidências que eles conseguiram reunir.

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Para os cientistas, esses círculos estelares que rodeiam as galáxias possuem sobras de galáxias menores que foram engolidas — o que sugere que a Andromeda tenha consumido centenas de outras companheiras menores ao longo de sua existência. E, ainda que achem difícil aprender sobre qualquer uma delas, os pesquisadores estão usando simulações em computadores para entender como, mesmo sendo devoradas, a maioria das estrelas externas dessa área contribuíram para a destruição de uma galáxia inteira.

Uma representação da galáxia Andromeda e suas galáxias-satélites (Imagem: Astroarts)

A M32p, que foi destruída por Andromeda, era pelo menos 20 vezes maior do que qualquer outra que tenha surgido na região ao longo da história — e a descoberta de que ela era uma irmã para a Via Láctea foi um choque, de acordo com o co-autor do artigo, o professor Bell.

Rumo ao fim do mistério

Este trabalho que ele realiza ao lado de D’Souza pode ajudar a resolver um mistério há muito tempo sem solução: a formação da galáxia-satélite M32, de Andromeda, considerada única por ser densa, compacta e antiga, mas repleta de estrelas mais jovens.

Representação de uma galáxia regular ao lado de duas galáxias-satélite (Imagem: Quora)

A pesquisa deverá ainda ajudar mudar a percepção de como as galáxias evoluem; afinal, os cientistas acreditam que os discos da Andromeda sobreviveram a um grande impacto com uma enorme galáxia bilhões de anos atrás, algo que abre dúvidas sobre como ou por que essas interações não destruíram ambas as partes envolvidas, bem como a formação de galáxias elípticas e o espessamento dos discos.

Os métodos utilizados aqui, por sinal, podem ser usados em estudos com outras galáxias, ajudando a desvendar a complicada teia de causa e efeito que impulsiona o crescimento das galáxias, além de entender o que as fusões fazem com as galáxias.

Fonte: Science Daily

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