Pela primeira vez, astrônomos encontram metanol em disco protoplanetário quente

Pela primeira vez, astrônomos encontram metanol em disco protoplanetário quente

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Maio de 2021 às 07h45
ESO/NASA/ESA/Ardila et al

Uma equipe internacional de cientistas, liderada por Alice Booth, da Universidade de Leiden, identificou moléculas de metanol na área aquecida de um disco de formação planetária. Como o composto não pode ter sido formado ali, ele provavelmente veio de nuvens de gás frio, responsável pela formação de estrelas e seu disco. Então, se esse processo de “herança” for comum, pode ser seja o responsável também por impulsionar o desenvolvimento da vida.

Descobrir a composição do material nos discos protoplanetários é essencial para os astrônomos determinarem o potencial de sistemas de exoplanetas produzirem e darem suporte a ambientes possivelmente habitáveis. Assim, quando o assunto é a habilidade desses sistemas, as moléculas orgânicas têm grande importância — e é aqui que entra o metanol, que se forma principalmente em baixas temperaturas por meio da hidrogenação do monóxido de carbono congelado, presente em partículas de gelo de poeira.

Detalhe da reserva de metanol na esquerda e imagem composta da estrela à direita (Imagem: Reprodução/ALMA/Booth et al. & ESO/NASA/ESA/Ardila et al)

Formado por carbono, hidrogênio e oxigênio, o metanol é uma das moléculas complexas mais simples que conhecemos. Os astrônomos consideram que esse composto é precursor da química essencial para a ocorrência da vida, porque o metanol pode formar aminoácidos, proteínas e outras substâncias. Assim, estudos anteriores já mostraram que o metanol está presente no disco protoplanetário de estrelas, em cometas e em nuvens de gás frio que originam estrelas. Desta vez, o foco do estudo foi a estrela HD100546 e seu disco, que ficam a 360 anos-luz de nós.

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Trabalhando com o observatório Alma, no Chile, eles estavam em busca de moléculas simples de enxofre, mas o espectro mostrou também linhas de metanol, e eles viram que o composto existia em grande quantidade. Seria quimicamente impossível que essa reserva tenha se formado no próprio disco, então os pesquisadores propõem que o metanol congelado já estava presente na poeira da nuvem de gás frio, de onde a estrela e o disco vieram. 

Booth comenta que esse resultado surpreendeu a equipe: "embora o metanol quente já tenha sido detectado em discos jovens e quentes, devido à natureza deste disco esta é a primeira evidência observacional clara de que moléculas orgânicas complexas podem ser 'herdadas' da fase anterior, de nuvens escuras e frias”, disse ela. Futuramente, a equipe planeja coletar mais dados para observar as linhas do metanol em maior resolução, e também pretendem procurar moléculas mais complexas, como o metil e acetaldeído — tratam-se de compostos que estão presentes em cometas e nuvens escuras e, talvez, sejam ingredientes essenciais para a química pré-biótica.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature.

Fonte: Phys.org

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