Padrões de ventos em Marte mapeados pela primeira vez surpreendem cientistas

Por Daniele Cavalcante | 12 de Dezembro de 2019 às 23h10
NASA Goddard/MAVEN/SVS/Greg Shirah
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Um artigo publicado nesta quinta-feira (12) revela pela primeira vez os padrões globais de circulação do vento na atmosfera superior do planeta Marte. A pesquisa foi baseada em observações e dados coletados por um instrumento e uma sonda da NASA que não foram projetados para coletar medições de vento.

A sonda é a MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN), que foi reprogramada remotamente por sugestão do cientista Mehdi Benna, junto com o instrumento NGIMS (Neutral Gas and Ion Mass Spectrometer). A proposta de Benna era descobrir se partes do instrumento que normalmente estavam paradas poderiam "balançar para frente e para trás como um limpador de para-brisa rápido o suficiente" para permitir que a ferramenta coletasse um novo tipo de dados.

Inicialmente, a equipe da missão MAVEN relutou em implementar as modificações solicitadas por Benna, porque a ideia poderia colocar a sonda em risco. Mas com o argumento de que o experimento poderia mudar nossa compreensão da atmosfera superior de Marte e nos ajudar a entender melhor o clima planetário, as alterações acabaram sendo implementadas. Hoje, três anos depois, os resultados trouxeram algumas surpresas para os cientistas.

Baseado em dados coletados dois dias por mês, durante 2016 a 2018, o novo artigo oferece alguns resultados esperados, mas também algumas grandes surpresas. Entre as boas notícias, os padrões observados na atmosfera superior "correspondem globalmente ao que se poderia prever dos modelos", diz Benna. "A física funciona".

No geral, os padrões médios de circulação em cada estação são muito estáveis ​​em Marte, segundo o estudo. A primeira surpresa, no entanto, é a variação de curto prazo dos ventos na atmosfera superior: isso foi maior que o previsto, com ventos altamente variáveis. Ainda são necessários mais estudos para entender as causas desse contraste.

Uma segunda surpresa foi que o vento, que percorre centenas de quilômetros acima da superfície do planeta, ainda continha informações sobre as formas do relevo abaixo, como montanhas, desfiladeiros e bacias. À medida em que a massa de ar flui sobre essas formações, "ela cria ondas — efeitos de ondulação — que fluem para a atmosfera superior" e podem ser detectada pela MAVEN e pelo NGIMS, conforme explica Benna. "Na Terra, vemos o mesmo tipo de ondas, mas não em altitudes tão elevadas. Essa foi a grande surpresa".

Os pesquisadores sugeriram duas explicações para este fenômeno. A primeira é que a atmosfera de Marte é muito menos densa que a da Terra, de modo que essas "ondas" podem se mover mais no Planeta Vermelho. A segunda é que há uma diferença de altitude entre os picos e vales de Marte e da Terra — muitas montanhas no Planeta Vermelho são duas vezes mais altas que o Monte Everest.

Esse estudo, publicado na revista Science, pode ajudar os cientistas a descobrir se os mesmos processos básicos que ocorrem em Marte também atuam na atmosfera superior do nosso próprio planeta. Ironicamente, "tivemos que fazer essas medições em Marte para finalmente entender o mesmo fenômeno na Terra", diz Benna.

Mesmo com o conjunto de dados coletados por dois anos, a equipe afirma que ainda há muitos anos de análise pela frente. "No final, os resultados nos ajudarão a entender o clima de Marte. Qual é o seu estado e como está evoluindo?", questiona Benna.

Fonte: Phys.org

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