Orçamento da ESA aumenta e agência espacial visa espaçonaves reutilizáveis

Por Felipe Junqueira | 10 de Dezembro de 2019 às 19h30
ESA/S. Corvaja

A Agência Espacial Europeia (ESA) definiu o orçamento para o ano de 2020, e conseguiu a maior somatória na história para investir, principalmente, em espaçonaves reutilizáveis, além de investimentos previstos na Estação Espacial Internacional (ISS). É a primeira vez em 25 anos que a agência espacial consegue um aumento significativo como acontece agora.

Em uma reunião realizada em Sevilha, ministros de países europeus, junto com representantes do Canadá e da União Europeia, definiram como vão gastar US$ 15,9 bilhões (cerca de R$ 65,7 bilhões) na exploração espacial a partir do próximo ano, sendo esta a maior quantia já obtida pela agência. “Juntos, selecionamos uma estrutura que vê inspiração, competitividade e responsabilidade como sustento de nossas ações nos próximos anos, com a ESA e a Europa indo além de nossas conquistas anteriores, com novas missões desafiadoras e metas de crescimento junto com a indústria em geral”, disse o diretor geral da ESA, Jan Wörner, em comunicado.

Além de espaçonaves reutilizáveis, os participantes da reunião aprovaram novos programas promissores — é o caso do LISA, o primeiro observatório de ondas gravitacionais baseado no espaço, e também do Athena, que será o maior observatório de raios-x já construído. Ambos os projetos devem ser lançados no início da década de 2030 e trabalharão em conjuntio no estudo de buracos negros. Na reunião, também foi discutida uma missão a Marte.

A ESA decidiu, ainda, manter o apoio à Estação Espacial Internacional (ISS) até 2030, bem como realizar missões de suporte à NASA, com módulos de transporte e habitação para a construção da Gateway, estação espacial que ficará na órbita da Lua. Outra colaboração com a NASA tem relação com o retorno de amostras de Marte, em missões a serem realizadas na próxima década — que começa já em 1º de janeiro.

Nave reutilizável

A espaçonave Space Rider (Reusable Integrated Demonstrator para Europe Return) já está em desenvolvimento e tem previsão de lançamento em 2022. A ideia é que a nave saia a bordo de outro foguete, também em desenvolvimento, o Vega-C. O veículo não deve ser tripulável, contando com alta tecnologia para a exploração espacial. A ESA o descreve como "um laboratório espacial de alta tecnologia sem fios" capaz de permanecer em órbita por até dois meses.

Proteção do planeta

Proteção espacial foi um tema também bastante discutido, e deve se tornar um pilar básico da agência daqui para a frente. A ESA mostra preocupação em desenvolver meios de proteger a Terra contra possíveis objetos em rota de colisão, além de remover destroços para garantir uma exploração espacial mais suave. A missão Hera entra mais ou menos nesse ponto, já que marca a colaboração com a NASA em um programa de deflexão de asteroides.

Outras missões

A ESA também definiu investimentos em satélites para o 5G e tecnologias para a próxima geração da fibra óptica, que é uma espécie de “rede no céu”. As comunicações satelitares ainda se unirão com a equipe de navegação para levar satélites à Lua. Também foram aprovadas 11 novas missões com foco em observações da Terra, como análises da mudança climática, o Ártico e a África.

Fonte: ESA

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