Objeto FarFarOut é confirmado como o mais distante do Sistema Solar — até agora

Por Danielle Cassita | 11 de Fevereiro de 2021 às 16h40
Reprodução/NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva

Em 2018, um objeto de dimensões consideráveis foi encontrado a uma distância enorme do Sol, mas ainda não estava claro qual distância era essa. Agora, a equipe dos astrônomos Scott Sheppard, David Tholen e Chad Trujillo estudou e caracterizou este vizinho distante: provisoriamente chamado de “2018 AG37”, ele está a 132 unidades astronômicas de distância da nossa estrela — cada UA equivale à distância entre a Terra e o Sol —, e leva um milênio para orbitar o Sol.

A descoberta ocorreu durante um mapeamento que eles vinham fazendo do Sistema Solar em regiões além de Plutão, algo que está em andamento desde 2012. Este objeto está tão distante que ganhou o apelido de “FarFarout”, que pode ser traduzido como “muito, muito longe”. O nome é, na verdade, uma brincadeira com um possível planeta-anão que foi identificado também em 2018, a 124 unidades astronômicas do Sol; toda essa distância lhe rendeu o apelido de “Farout”, que significa “muito longe”.

Animação que mostra as imagens da descoberta do FarFarOut, ocorrida em 2018 (Imagem: Reprodução/Scott S. Sheppard/Carnegie Institution for Science)

Os astrônomos calculam que o FarFarout leva cerca de mil anos para orbitar o Sol e, durante a viagem, ele cruza a órbita de Netuno no momento de maior proximidade a 27 unidades astronômicas. Essa trajetória tem forma oval de pouca simétrica. Então, é provável que ele tenha passado por fortes interações gravitacionais com o planeta gelado ao longo da evolução do Sistema Solar, o que explicaria sua órbita tão alongada: “por ter a órbita tão longa, ele se move lentamente pelo céu e exige alguns anos de observação para conseguirmos determinar a trajetória com precisão”, disse Trujilio, um dos astrônomos do estudo.

Como tem pouco brilho, a equipe estima que ele tenha cerca de 400 km e pode ser que acabe sendo considerado um planeta-anão. Apenas objetos bem distantes e que estejam além da força gravitacional de Netuno podem ser usados para estudos em busca de sinais de outro planeta massivo em nossa vizinhança. Assim, a dinâmica orbital do FarFarout poderá ajudar os cientistas a saber mais sobre a formação e evolução de Netuno, uma vez que o objeto provavelmente foi “expulso” para o Sistema Solar externo por ficar perto demais do planeta: “o FarFarout provavelmente vai interagir fortemente com Netuno de novo, já que suas órbitas continuam a se cruzar”, finaliza ele.

A descoberta ocorreu com o telescópio Subaru, localizado no Havaí. De acordo com Sheppard, a descoberta do FarFarout mostra a habilidade cada vez maior de mapear o Sistema Solar externo e de realizar observações de pontos cada vez mais distantes: “os avanços das grandes câmeras digitais em grandes telescópios permitiu descobrir com eficiência objetos distantes como esse”, finaliza ele. Para ele, o FarFarout é apenas a ponta do iceberg de objetos distantes em nossa vizinhança. O objeto ainda receberá um nome oficial, mas só após mais observações e mais dados sobre a órbita dele, que serão obtidos nos próximos anos.

Fonte: Carnegie Science, NoirLab

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.