Nave da Boeing que falhou em teste para a NASA teve erro de software

Nave da Boeing que falhou em teste para a NASA teve erro de software

Por Daniele Cavalcante | 07 de Fevereiro de 2020 às 16h43
Boeing

No final de dezembro, a Boeing fez o primeiro voo de sua nave Starliner rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), mas ela não conseguiu chegar ao destino — a viagem foi interrompida devido a uma falha que resultou na falta de combustível. Mas esse não era o único problema. Na quinta-feira (6), foi revelado que a Starliner apresentou um erro em seu software, que poderia ter sido “catastrófico” caso não tivesse sido corrigido em tempo.

A revelação aconteceu durante uma reunião do Aerospace Safety Advisory Panel, da NASA. De acordo com Paul Hill, ex-diretor de voo e ex-diretor de operações da missão no Johnson Space Center, em Houston, o problema do software foi identificado durante os testes no solo após o lançamento da Starliner. Se não tivesse sido corrigido a tempo, o erro teria interferido na separação do módulo de serviço e da cápsula Starliner.

Embora o problema tenha sido resolvido quando a Starliner ainda estava em órbita, ainda é preocupante que isso tenha acontecido. "Se não fosse corrigida, [a falha] levaria a disparos errôneos do propulsor e movimentos descontrolados durante a separação, com o potencial de falha catastrófica da sonda", disse Hill durante a reunião.

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Até então, tudo o que se sabia é que o voo até a ISS foi interrompido por causa de um atraso no cronômetro, que fez com que os propulsores a bordo do módulo de serviço disparassem por mais tempo do que o esperado. Com isso, a sonda não teve combustível suficiente para completar a missão rumo à estação espacial, um teste crítico que precisa ser concluído com sucesso antes de as missões tripuladas começarem a acontecer.

Essa história sobre problemas de software e propulsores da Starliner começou a aparecer há três semanas, e uma fonte informou à imprensa sobre o problema com mais detalhes. Segundo a fonte, a Boeing corrigiu um erro de código de software apenas duas horas antes de o veículo entrar na atmosfera. Se o erro não tivesse sido detectado, os propulsores adequados não abririam durante o processo de reinserção e o veículo se perderia.

Com isso, o painel de segurança recomendou à Boeing várias análises e demonstrou “preocupação maior com o rigor dos processos de verificação da empresa”. Hill pediu que a NASA “busque não apenas a causa raiz dessas anomalias específicas do software de voo, mas também uma avaliação e ações corretivas da Boeing para os processos de integração e teste da Boeing".

Também foi recomendado que a NASA conduza uma avaliação "ainda mais ampla" dos processos de engenharia e integração de sistemas da Boeing. Somente após essas avaliações a NASA deve determinar se a sonda Starliner realizará um segundo voo de testes.

Resposta da Boeing

A Boeing declarou que está “trabalhando em muitas das correções recomendadas, incluindo a verificação do código do software de voo”. Também disse que aceitou as recomendações da Equipe Independente de Revisão (IRT) da NASA e da Boeing, assim como acata as sugestões do Painel de Segurança Aeroespacial. “Suas idéias são inestimáveis ​​para o Commercial Crew Program e trabalharemos com a NASA para aplicar de forma abrangente suas recomendações”, disse a empresa no comunicado à imprensa.

Além disso, a Boing disse que a IRT da NASA acredita ter encontrado a causa raiz da anomalia no cronômetro da missão e “forneceu uma série de recomendações e ações corretivas”. A IRT também está investigando o erro de software corrigido em órbita e buscando “métodos para tornar o sistema de comunicações da Starliner mais robusto em futuras missões”.

Por fim, a próxima tarefa da Boeing é, de acordo com a empresa, “criar um plano que incorpore as recomendações” feitas à empresa pelos grupos de avaliação e dos times de supervisão que a NASA escolher. “Depois que a NASA aprovar esse plano, poderemos estimar melhor os prazos para a conclusão de todas as tarefas. Ainda é cedo para especular sobre as próximas datas dos voos”, declarou a Boeing.

Fonte: Ars Technica, TechCrunch

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