NASA lança as bases de uma internet interplanetária

Por Carlos Dias Ferreira | 17 de Julho de 2018 às 07h59
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A NASA lançou recentemente um novo modelo de transmissão de dados que deve formar a infraestrutura básica de uma nova internet interplanetária. O chamado Delay/Disruption Tolerant Networking (DTN) é um protocolo de envio e recebimento de dados semelhante ao IP (Internet Protocol) utilizado na Web, mas com uma vantagem crucial: a capacidade de estabelecer a comunicação entre múltiplos nós de rede separados por milhões de quilômetros de distância.

“A comunicação entre a Terra e qualquer espaçonave é sempre um desafio complexo, sobretudo em razão das distâncias extremas que estão envolvidas”, explica a agência espacial estadunidense em postagem oficial. “Quando os dados são transmitidos e recebidos através de milhões de milhas de distância, os atrasos, interrupções e potencial perda de dados são significativos.”

De telefone espacial a internet cósmica

Embora a transmissão e o recebimento de pacotes de dado represente rotinas já bem estabelecidas das missões da NASA, a infraestrutura atualmente em uso se assemelha mais a uma linha telefônica; a uma comunicação ponto-a-ponto que deve se tornar insuficiente diante da complexidade crescente das missões espaciais.

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A DTN, por outro lado, deve ser uma solução confiável para o estabelecimento de redes compartilhadas durante missões espaciais, as quais serão formadas por diversos nós de rede localizados algures no espaço – seja na Lua, em Marte ou em uma espaçonave em órbita da Terra. Em outros termos, uma internet interplanetária, literalmente.

Solar System Internet (SSI)

Para dar corpo ao novo protocolo de transmissão, a agência fará uso de três redes formadas por estações em terra e também por vários satélites de retransmissão. São elas: a Deep Space Network (DSN), a Near Earth Network (NEN) e a Space Network (SN). Ao operarem em conjunto com outros nós terrestres, essas redes formarão a fundação da chamada Solar System Internet (Internet do Sistema Solar).

Tal como a internet terrestre, a SSI deve prover redes de múltiplos nós - dispostos em planetas, espaçonaves e bases em terra. (Imagem: Reprodução/NASA).

“Assim como a internet terrestre, a SSI vai oferecer aos usuários plataformas-padrão bem definidas, nas quais será possível construir uma ampla variedade de aplicações por meio de serviços de internet”, explica a referida publicação. “A SSI utilizará a suíte de protocolos Delay/Disruption Tolerant Networking (DTN), que funciona em qualquer cenário, mesmo a longas distâncias em anos-luz com quebras frequentes de conexão onde o padrão convencional de internet (IP) falharia.”

Após vários testes iniciais realizados na Antártida, o novo modelo DTN já foi utilizado também em várias missões e experimentos correntes da NASA. Entre elas, o experimento Deep Impact Networking (DINET), a Earth Observing Mission 1 (EO-1) e a Lunar Laser Communication Demonstration (LLCD). A agência também mantém atualmente o fundo de investimento InterPlanetary Networking Special Interest Group (IPNSIG), a fim de “transformar em realidade” a nova internet interplanetária.

Fonte: NASA

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