NASA estuda vender espaço para propaganda de empresas em seus foguetes
Por Wagner Wakka |

A NASA pode começar a permitir que empresas possam colocar nomes de marcas em foguetes desenvolvidos para a Agência. Em reunião pública do conselho da NASA nesta terça, o administrador da agência, Jim Bridenstine, colocou em pauta a proposta de vender o chamado “naming rights” para empresas ligadas a projetos espaciais.
Isso poderia permitir à Boeing ou à SpaceX, por exemplo, colocar seus logos nas naves CST-100 Starliner e Crew Dragon, respectivamente, as quais estão em produção para levar astronautas e mantimentos à Estação Espacial Internacional.
Tal qual a política da junção de iniciativa privada com pública, ceder este espaço cativo nos foguetes e missões não sai de graça. Entretanto, aos que esperam que a companhia possa levar uma bolada para a publicidade das empresas parceiras da agência, a proposta é outra. Segundo Bridenstine, um acordo poderia ajudar a colocar a NASA nas campanhas de marketing destas companhia.
“Nós podemos fixar a NASA na cultura e nas vestes da sociedade americana e inspirar gerações de pessoas que vão criar as próximas capacidades para manter a América proeminente não apenas no espaço, mas na ciência, tecnologia, descoberta e explicação”, disse Brindestine na apresentação.
A ideia ainda é muito incipiente e apareceu apenas com uma proposta para estudos futuros dentro da companhia. Ainda, além da contrapartida e visibilidade, a NASA também pensa em cobrar por estes espaços e colaborar com o financiamento de projetos internos.
O próximo passo é a formação de um novo comitê que vai oficialmente discutir a ideia e ver a viabilidade do processo. A cada crise econômica dos Estados Unidos, o governo é questionado sobre investimentos na NASA. Desta forma, a venda de espaços publicitários poderia ajudar a Agência a garantir mais investimentos.
Além da viabilidade do processo, este novo comitê também terá de oferecer propostas de regulamentação para publicidade espacial, definindo em que nível astronautas e produtos associados à NASA poderão participar de campanhas publicitárias levando o nome da instituição pública.
Se a ideia for para frente, é possível esperarmos um universo já premeditado por Chuck Palahniuk no livro Clube da Luta, adaptado para o cinema por David Fincher em 1999. Na trama, o personagem principal, que sofre de insônia, imagina que empresas terão suas marcas em tudo. “Como a galáxia Microsoft, do planeta Lufthansa”, ele diz.
Pode ser que, em algum momento lá no futuro, a realidade encontre a ficção.
Fonte: Parabolic Arc