NASA divulga plano oficial de retornar à Lua e explorar Marte nos próximos anos

Por Patrícia Gnipper | 26 de Setembro de 2018 às 22h30
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Nesta quarta-feira (26), a NASA revelou um resumo de seu audacioso plano de levar a humanidade novamente à Lua, bem como seus planos de continuar desvendando mistérios do Planeta Vermelho rumo à nossa chegada por lá. Os planos consideram o futuro próximo, sem englobar o longo prazo, e envolvem coisas que já sabíamos, mas que agora são oficiais: missões tripuladas ao nosso satélite natural, uma base lunar orbital semi-permanente e uma missão que trará à Terra amostras coletadas em Marte.

O plano se chama The National Space Exploration Campaign (que pode ser traduzido para "A campanha nacional de exploração espacial"), que marcará o início de fornecimento de verbas para tais missões, deixando gastos com a Estação Espacial Internacional (ISS) de lado, uma vez que a estação provavelmente será privatizada, ou administrada em parceria com empresas privadas em um futuro próximo — o que também está detalhado no plano em questão.

Em suma, o projeto elenca três pontos principais:

Capacitar empresas privadas para a ISS

Estação Espacial Internacional (Foto: NASA)

Por décadas, a NASA operou lançamentos com missões de reabastecimento para a ISS. Agora, a agência está pronta para repassar este "fardo" para empresas privadas de exploração comercial do espaço. Para os próximos anos, a agência quer direcionar financiamentos e contratos para tais companhias, que ficarão responsáveis pelo gerenciamento da estação espacial.

Mas isso não significa que a NASA abandonará a ISS: a agência, com essas medidas, somente deixará de ser a única a se responsabilizar por envios de suprimentos e astronautas, e, com isso, não dependerá mais dos esforços russos para tal — atualmente, astronautas são enviados para lá na cápsula russa Soyuz. Para os EUA, é mais jogo contar com empresas privadas nessa missão do que confiar em um país com quem tem um longo histórico de rivalidade.

Pelo menos US$ 150 milhões serão destinados ao financiamento de um novo programa comercial para a ISS e, com isso, muito dinheiro será economizado pela NASA no futuro próximo, restando verba para, então, desenvolver os novos projetos lunares e marcianos.

Retornar à Lua

Arte imagina como pode ser uma estação espacial lunar (Imagem: Lockheed Martin)

Como faz décadas que a humanidade não visita o nosso satélite natural, é sensato considerar que devemos primeiro voltar para lá antes de pensar em chegar a outros mundos do Sistema Solar. A partir de 2019, plataformas lunares comerciais começarão a ser desenvolvidas, e ouviremos falar muito em projetos do tipo daqui em diante.

Já falando nos planos da NASA, a nave Orion e o foguete SLS serão inicialmente testados em órbita no ano de 2020 e, se tudo ocorrer nos conformes, dentro de alguns anos depois disso a agência conseguirá começar a levar astronautas e pequenas cargas à órbita lunar. Então, uma variante da Orion poderá levar 10 toneladas de carga útil por vez.

Esses planos são parte da preparação para a criação do Lunar Gateway, uma estação espacial lunar que receberá astronautas da NASA e será usada como laboratório de testes do espaço profundo. A ideia é que a plataforma comece a ser desenvolvida em 2022.

Ampliar a presença em Marte

Sonda Insight coletará amostras marcianas (Imagem: NASA)

Tendo em mente que os planos da NASA em questão consideram o futuro próximo, não valendo para o longo prazo, o que a agência espacial tem de concreto para Marte nos próximos anos são novas missões exploratórias e científicas, deixando o envio de pessoas para outro momento.

Em novembro, a sonda InSight pousará no Planeta Vermelho, e o Mars 2020 Rover já está pronto para ser lançado no próximo ano. O novo rover coletará amostras do solo marciano e as enviará para a Terra por meio de uma outra missão, que deverá acontecer vários anos depois.

Já em 2024, a NASA pretende tomar uma decisão responsável sobre a missão tripulada com destino a Marte, que pode acontecer na década de 2030. Contudo, a primeira equipe de astronautas que for enviada para lá não pousará no planeta, apenas o orbitará para realizar observações valiosas, rumo a uma futura missão tripulada aí sim com o objetivo de fincar os pés no terreno de Marte. Esta missão, que ficará nas páginas da história tal qual a missão Apollo 11 (quando os primeiros homens pisaram na Lua), ainda não tem data planejada.

Sendo assim, é possível que alguma empresa privada (como a ambiciosa SpaceX, de Elon Musk) consiga realizar o feito de levar a humanidade à superfície marciana antes mesmo da NASA. Vale lembrar, contudo, que a agência espacial tem suas obrigações com o Estado, já que é uma instituição governamental, e também é preciso considerar que a NASA é uma organização científica que não visa o lucro — mas sim, avanços científicos que proporcionem a evolução da humanidade no que diz respeito à conquista do espaço.

Fonte: NASA

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