Não são aliens! Astrônomos estudam estrela bizarra e continuam sem resposta

Por Daniele Cavalcante | 18 de Outubro de 2019 às 11h35

Cientistas detectaram um comportamento estranho no sistema estelar HD 139139, também conhecido como EPIC 249706694. Na verdade, trata-se de um par de estrelas localizadas a 360 anos-luz de distância da Terra, na constelação de Libra, e elas intrigam os astrônomos há algum tempo por causa de suas mudanças aleatórias no brilho observado por nós.

Antes de encerrar sua missão, o telescópio espacial Kepler observou essa estrela e detectou 28 quedas de brilho num intervalo de 87 dias. Poderia ser o trânsito de um exoplaneta, se não houvesse ali quedas de brilho totalmente aleatórias, sem nenhuma precisão nos intervalos de tempo.

Esse fenômeno é conhecido como “Random Transiter”, ou seja, supõe-se que a diminuição do brilho seja causada por algum objeto que transita de forma randômica por ali. Um caso como este ficou famoso em 2015, quando astrônomos descobriram uma estrela com um comportamento semelhante — a Estrela de Tabby. Astrônomos como Jason Wright, da Universidade Estadual da Pensilvânia, sugeriram que a construção de megaestruturas alienígenas poderia explicar a estranha queda no brilho, mas, claro, nada disso foi comprovado.

Conceito artístico da megaestrutura alienígena que causaria o Random Transiter em uma estrela (Imagem: Danielle Futselaar/METI International)

Ainda assim, alguns desses mesmos pesquisadores estão verificando o Random Transiter da HD 139139 para encontrar possíveis sinais de vida, ou pelo menos alguma tecnologia alienígena. "O mistério por trás da origem desses eventos torna esse sistema um alvo interessante para buscas de assinaturas tecnológicas", diz um artigo escrito por pesquisadores do projeto Breakthrough Listen, da Universidade da Califórnia, publicado no Research Notes da American Astronomical Society.

Então, a equipe usou o Green Bank Radio Telescope para verificar as emissões de rádio do intrigante sistema estelar. Depois de captar três sessões de cinco minutos, não havia nenhum sinal de vida ou tecnologia. "Não detectamos evidências de tecno-assinaturas no EPIC 249706694", escrevem.

Isso diminui bastante o entusiasmo dos caçadores de vida inteligente fora da Terra, mas o mistério do Random Transiter permanece. As possíveis explicações incluem uma enorme quantidade de até 28 planetas na órbita da estrela, sendo que aguns desses mundos estariam extremamente próximos, girando em torno das duas estrelas em algum padrão indetectável. Ou também poderia haver um cinturão de poeira e detritos causando o fenômeno, ou outros objetos interestelares ali ao redor.

Embora essas explicações não sejam suficientes e deixem mais perguntas do que respostas, a teoria de uma megaestrutura alienígena também não é satisfatória, e essa ideia fica ainda menos provável com a nova pesquisa.

Fonte: CNET

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