Modelo tridimensional da Via Láctea mostra bordas distorcidas da nossa galáxia

Por Daniele Cavalcante | 02 de Agosto de 2019 às 10h20

A Via Láctea não é um disco plano, conforme revelou um estudo publicado no início do ano e, após seis anos de monitoramento de uma classe especial de estrelas, pesquisadores da Universidade de Varsóvia, na Polônia, conseguiram criar não apenas um mapa, mas um novo e aprimorado modelo 3D de nossa galáxia. Com o novo modelo, as curvas em suas bordas no formato de “S” foram caracterizadas com ainda mais detalhes.

Com as ferramentas atuais, é bastante difícil fazer as observações diretas necessárias para criar um modelo preciso. Mas os pesquisadores descobriram que um certo tipo de estrela tem características especiais que nos permitem dizer exatamente a que distância estão.

Trata-se das estrelas variáveis Cefeidas, corpos estelares gigantes ou supergigantes, jovens, muito mais massivas e brilhantes que o nosso Sol, e que pulsam em um padrão muito estável. Elas são muito úteis na determinação de distâncias extragaláticas.

"As distâncias para as Cefeidas podem ser medidas com uma precisão melhor que 5%", disse a autora da pesquisa, Dorota Skowron. Sua equipe localizou milhares de estrelas desse tipo no céu através do Optical Gravitational Lensing Experiment, um projeto que rastreia o brilho de bilhões de objetos estelares. Então, eles catalogaram e observaram essas cefeidas durante anos e, a partir de medições repetidas, surgiu o “retrato” da galáxia.

“Nosso mapa mostra que o disco da Via Láctea não é plano. É deformado e torcido longe do centro galáctico”, disse o co-autor Przemek Mroz. “Esta é a primeira vez que podemos usar objetos individuais para mostrar isso em três dimensões”. Ainda não se sabe o que causou a curvatura, mas já existem muitas teorias.

Fonte: University Warszawski, Tech Crunch

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