Lançamento de foguete para descobrir se Terra é plana é impedido pelos EUA

Por Redação | 28 de Novembro de 2017 às 10h48

O lançamento do foguete com o intuito de descobrir se a Terra é plana terá que ser adiado em, pelo menos, algumas semanas. Tudo porque o responsável pelo projeto, Mike Hughes, não obteve as autorizações governamentais necessárias para decolar a partir de terras públicas no estado americano da Califórnia, último passo para o experimento que estava marcado para acontecer neste sábado (02).

Líder de um projeto de pesquisa relacionado à corrente que não acredita na curvatura de nosso planeta, Hughes pretende estar no interior do foguete, que voaria a 1.800 pés de altura. A distância, equivalente a 550 metros, seria suficiente, segundo ele, para observar os limites da Terra, que de acordo com a teoria, seria plana e cercada por uma grande parede de gelo.

Segundo ele, o lançamento ainda vai acontecer, mas a falta de uma autorização por parte do governo vai atrasar todo o processo em algumas semanas. O responsável afirma que a ideia, agora, é decolar a partir de uma propriedade particular em Amboy, uma comunidade com apenas quatro habitantes em pleno deserto do Mojave, no condado de San Bernardino e à beira da famosa Rota 66.

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Ao falar sobre a mudança de planos, Hughes aproveitou para criticar o governo. Ele disse ter recebido autorização verbal quando iniciou seu projeto, há mais de um ano, mas quando chegou a hora de realizá-lo de verdade, não houve permissão. Entretanto, ele afirma estar esperando por isso, já que esse seria o “comportamento padrão” sempre que esse tipo de coisa é necessária a partir de agências governamentais.

O Bureau de Gerenciamento Terrestre, órgão responsável por expedir autorizações desse tipo, entretanto, diz que não existem registros de conversas prévias entre Hughes e oficiais da agência, afirmando que ele nem mesmo solicitou uma licença para a realização de um evento público na cidade. O próprio escritório diz ter entrado em contato com ele ao ficar sabendo sobre o lançamento por meio do noticiário. A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) não se pronunciou sobre o assunto, afirmando apenas que não recebeu nenhum pedido para análise.

A estimativa de algumas semanas para um novo lançamento é confortável, segundo Hughes. Ele explica que toda a montagem do foguete e os preparativos para lançamento duram três dias. Agora, a única questão é fechar um novo local, privado, para a decolagem e seguir até lá, realizando todo o processo necessário para a viagem. O objetivo é que tudo seja realizado ainda na primeira metade de dezembro.

Voar, voar...

O intuito de Hughes com o experimento é colocar um fim na discussão sobre se a Terra é plana ou não. Utilizando recursos coletados junto à própria comunidade de apoiadores dessa ideia, por meio de financiamento coletivo, ele deseja realizar um trabalho em duas fases, com a primeira sendo realizada nas próximas semanas, e a segunda, no ano que vem, encerrando de vez a questão.

Na decolagem inicial, ele se lançará em um foguete a mais de 800 quilômetros por hora e poderá observar os limites do planeta, mesmo que rapidamente. É um aquecimento para a segunda fase do projeto, que utiliza um balão para levá-lo a 32 mil quilômetros de altura, de onde seguirá em uma aeronave até o espaço.

A ideia é retornar de sua viagem com provas fotográficas de que estamos, realmente, em um corpo plano cercado por barreiras de gelo. Além disso, aponta a força do depoimento de alguém não ligado a agências governamentais ou grandes corporações privadas, em sua visão, os únicos indivíduos capazes de colocarem fim nas discussões sobre o assunto.

Hughes, por outro lado, admite o perigo de seu experimento e disse que ainda está aprendendo o básico sobre a construção de um foguete desse tipo, apesar de estar confiante no sucesso de sua empreitada inicial. Ele é um motorista de limusines aposentado, com 61 anos de idade, e que, inclusive, está no Livro Guinness dos Recordes por ter realizado o maior salto com veículos de luxo. Em 2014, iniciou no mundo das aeronaves.

Sua ideia é lançar-se a partir de um motorhome adaptado em um dispositivo que utiliza motores a vapor. Trata-se, inclusive, de um manifesto contra os “empreendedores bilionários”, que recebem recursos federais e gastam fortunas com naves sem conseguir colocar ninguém no espaço. Hughes afirma que existem cerca de 20 agências trabalhando com pesquisa espacial, tudo parte de uma conspiração para fazer parecer que chegar às estrelas é uma tarefa difícil.

Ao se converter ao terraplanismo, Hughes acabou ganhando adeptos e, finalmente, conseguiu o financiamento para a construção de seu foguete. Participando de convenções sobre a teoria, ele ganhou apoio popular, mas admite os riscos de sua empreitada. “Ninguém vai sair vivo desse mundo”, afirma, concluindo, então, que é melhor usar o seu tempo por aqui para fazer a diferença.

Fonte: The Washington Post

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