Imagem incrível mostra que buracos negros não têm pressa de "se alimentar"

Imagem incrível mostra que buracos negros não têm pressa de "se alimentar"

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 03 de Agosto de 2021 às 19h30
ESO

Parece que as "refeições" de um buraco negro supermassivo são processos mais tranquilos do que se imaginava. Ainda são eventos intensos e turbulentos, mas a quantidade de matéria que cai no horizonte de eventos (o ponto do qual nem mesmo a luz pode escapar) é, de certa forma, controlada. É como se o buraco negro comesse sua refeição com tranquilidade, e não de modo voraz.

Essa constatação veio de um estudo sem precedentes que conseguiu registrar imagens inéditas desse banquete cósmico, através do Telescópio Espacial Hubble, o Very Large Telescope (VLT) do ESO e o Atacama Large Millimeter Array (ALMA) no Chile. Os pesquisadores identificaram nas imagens da galáxia NGC 1566 um núcleo ativo, onde filamentos de poeira caem lentamente no buraco negro supermassivo.

Antes de desaparecer para sempre no horizonte de eventos, o material acelera em espiral rumo ao buraco negro em velocidades de até 80 km/s, de acordo com o estudo. À medida que se aproximam, os filamentos se separam em longas faixas que medem centenas de anos-luz de comprimento, e apenas cerca de 10 anos-luz de largura.

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A imagem mostra o processo de alimentação de um buraco negro no centro da galáxia NGC 1566, e como os filamentos de poeira são aprisionados e giram em espiral até serem engolidos (Imagem: Reprodução/ESO)

De acordo com os autores do estudo, publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, "um buraco negro não precisa de muito para se tornar ativo. Neste, calculamos que a taxa de queda do material é muito menor do que 1/100 da massa do Sol por ano". Isso equivale a aproximadamente a massa de 3.300 Terras devoradas anualmente.

Almudena Prieto, principal autora do artigo, afirma que os telescópios utilizados deram à sua equipe uma "perspectiva completamente nova de um buraco negro supermassivo, graças às imagens em alta resolução angular e à visualização panorâmica de seus arredores, porque nos permitiu acompanhar o desaparecimento dos filamentos de poeira conforme eles caem no buraco negro”.

Fonte: EurakAlert

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