IA já é mais eficaz do que astrônomos em análises de exoplanetas circumbinários

Por Patrícia Gnipper | 25 de Abril de 2018 às 18h55
photo_camera NASA

Descobrir e analisar planetas que orbitam outras estrelas além do Sol é uma tarefa recente. O telescópio espacial Kepler possibilitou a descoberta de 3.767 exoplanetas (até o momento), e astrônomos de todo o mundo têm trabalhado arduamente para analisar do que esses planetas são feitos, a quais categorias pertencem, e se eles podem ser ou não potencialmente habitáveis. Mas a inteligência artificial já está sendo mais eficaz do que os esforços humanos nessa tarefa – ao menos no que diz respeito a planetas circumbinários.

Pesquisadores da Universidade de Columbia estão usando aprendizado de máquina e algoritmos de IA para fazer previsões mais acertadas sobre a capacidade de determinados exoplanetas sobreviverem em suas órbitas. Isso porque há sistemas estelares com duas estrelas, e alguns planetas, por vezes, acabam sendo expulsos de suas órbitas por conta dessa "confusão" espacial.

O trabalho da equipe está focado nos planetas que, assim como Tatooine, de Star Wars, orbitam duas estrelas. Esses planetas circumbinários, como são chamados, são particularmente curiosos, especialmente pelo fato de que no Sistema Solar temos apenas uma estrela e, portanto, ainda há muito a descobrir sobre os inusitados sistemas planetários com mais de um sol.

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Seguindo os métodos tradicionais, há uma equação matemática usada por astrônomos para determinar o "tempo de vida" de um planeta circumbinário, mas, segundo Chris Lam, pesquisador que lidera o time, esses cálculos acabam dando resultados não muito acertados. "O problema é que o movimento se torna caótico, quando você tem três ou mais corpos em um sistema do tipo", explica Lam. "Então, há alguns casos em que a equação prevê um sistema instável quando na verdade ele é estável, e vice-versa", informa.

E é justamente aí que os poderes da inteligência artificial entram em ação, conseguindo analisar uma quantidade muito maior de dados, em menos tempo, e produzindo resultados mais confiáveis. Afinal, prever se um exoplaneta circumbinário será expulso de sua órbita está diretamente ligado a saber se tal planeta tem condições de habitabilidade, uma vez que a vida como a conhecemos demora bilhões de anos para florescer e, caso um exoplaneta relativamente jovem esteja em vias de "fugir" de suas estrelas, as chances de ali haver algum tipo de vida vão por água abaixo.

Fonte: Digital Trends, Royal Astronomic Society

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