Hubble mostra que o universo se expande mais rapidamente do que pensávamos

Por Patrícia Gnipper | 29 de Abril de 2019 às 13h53
Universo Observado
Tudo sobre

NASA

Saiba tudo sobre NASA

Ver mais

De acordo com um estudo publicado no Astrophysical Journal, o universo está se expandindo mais rapidamente do que sabíamos, o que significa que o universo é mais jovem do que o estimado até então — e uma "nova física" pode ser necessária para explicar o que ocorre de fato.

O estudo em questão foi conduzido por Adam Riess, cientista ganhador do Prêmio Nobel em 2011 por ajudar a descobrir a energia escura, e mostra que o universo se expande 9% mais rápido do que indicavam os cálculos anteriores. Para essa descoberta, o astrônomo contou com dados de novas medições feitas pelo telescópio espacial Hubble, que completou 29 anos de "vida" na semana passada.

Os cálculos anteriores mencionados são os da constante de Hubble, que justamente representa a taxa de expansão do universo. Diversos estudos mostraram que as medições da constante de Hubble a partir do fundo cósmico de microondas não estão de acordo com estimativas de estrelas mais jovens, mesmo depois de considerar, nos cálculos, outras forças cósmicas que poderiam influenciar os resultados. O fundo cósmico de microondas, vale explicar, é uma espécie de "fóssil de luz", resultante de uma época em que o universo era quente e denso 380 mil anos após o Big Bang, apenas. Esse fundo cósmico de microondas é uma das mais fortes evidências observacionais do Big Bang, e é essencial na determinação da expansão do universo.

Para Riess e outros cientistas, essa discrepância de resultados poderia ser explicada pela adoção de dados incompletos no passado. Por isso, usando novas medições do telescópio espacial Hubble, Riess e sua equipe decidiram fazer um novo estudo, analisando os anteriores e comparando resultados. Eles acreditam, na verdade, que resultados anteriores também estavam corretos, o que significaria, então, que a taxa de expansão do universo está aumentando.

E para John Mather, astrofísico da NASA e também ganhador de um Nobel, as diferentes taxas de expansão observadas podem significar duas coisas: ou "estamos cometendo erros que ainda não conseguimos descobrir", ou "a natureza tem algo que não podemos encontrar ainda", em suas palavras. Esse "algo que não podemos encontrar ainda" pode ser a energia escura, na visão de Riess, que pode estar acelerando a expansão do universo de alguma maneira que ainda não entendemos.

Considerando que o universo se expande 9% mais rapidamente do que pensávamos, o cientista também calculou que o universo tem entre 12,5 bilhões e 13 bilhões de anos, sendo, portanto, mais jovem do que mostravam estimativas anteriores, cujos números eram de entre 13,6 bilhões e 13,8 bilhões de anos.

Fonte: NASA

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.