Ex-diretor da Microsoft critica programa da NASA contra asteroides

Por Patrícia Gnipper | 28 de Junho de 2018 às 08h42
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Há uma semana, a NASA preparou um plano de longo prazo para proteger a Terra contra eventuais impactos de asteroides. Mas Nathan Myhrvold, ex-diretor da Microsoft, acredita que a agência espacial está errada — e não quer admitir que errou.

Em entrevista ao Guardian, Myhrvold falou sobre um artigo científico de sua autoria, em que critica os métodos usados pela NASA para estimar o tamanho de cerca de 164 mil asteroides. Ele explica que "o telescópio espacial Wise mediu os asteroides em quatro diferentes comprimentos de onda no infravermelho, e minha principal crítica é com a forma como eles analisaram esses dados".

Myhrvold acredita que a NASA fez "escolhas pobres" de métodos estatísticos e, para encobrir seu erro, não publicou muitas informações a respeito do método, impedindo que outras pessoas pudessem replicar tais medições. "Receio que eles tenham superestimado e subestimado" os tamanhos dos asteroides, opina.

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Quando questionado sobre o motivo que o leva a criticar a agência espacial dos EUA tão duramente no que diz respeito à análise de asteroides, Myhrvold explica que "asteroides são muito importantes; eles nos dizem muito sobre a origem do Sistema Solar". Por isso, o trabalho de centenas de cientistas é baseado nos dados do projeto Neowise. "Os dados são críticos para avaliar o risco" de um grande impacto que afetaria a vida na Terra a qualquer momento e, por isso, medições erradas são perigosas para a humanidade.

(Foto: John Keatley/Redux/eyevine)

Acontece que, quando Myhrvold procurou a NASA para mostrar sua visão da coisa, a agência teria ignorado seus estudos, mantendo como oficial o que o projeto Neowise publicou. Mas o ex-Microsoft acredita que ela deveria manter uma investigação independente dos resultados obtidos com dados do telescópio Wise.

Ele ainda diz que "pessoas me sugeriram que a razão pela qual a NASA não quer admitir que algo está errado com os dados é que eles temem que isso prejudique as chances do Neocam, um telescópio que custa aproximadamente US$ 500 milhões, de encontrar asteroides que possam atingir a Terra", sendo que o projeto do Neocam seria do mesmo grupo que faz as análises do Neowise.

O projeto Neowise, ativo desde 2011, cataloga o tamanho e a refletividade de milhares de asteroides. Seus cálculos dizem que a estimativa do diâmetro desses objetos fica em uma margem de 10% de seus tamanhos reais — mas Nathan Myhrvold crê que tais cálculos estão muito longe de serem reais, uma vez que o satélite Wise teria sido projetado para observar objetos distantes, e não asteroides próximos.

Os argumentos de Myhrvold, que tem doutorado em física pela Universidade de Princeton, foram registrados na Icarus, renomada publicação sobre ciência espacial.

Fonte: The Guardian

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