Evidências indicam que planetas podem orbitar estrelas mortas

Evidências indicam que planetas podem orbitar estrelas mortas

Por Daniele Cavalcante | 09 de Dezembro de 2019 às 18h30
NASA

Parece que estrelas mortas também podem ter planetas ao seu redor. Pelo menos é o que apontam as novas evidências que, pela primeira vez na história, apontam para um exoplaneta em órbita de uma anã branca - estrela que se encontra no estágio após sua morte e que não era massiva o suficiente para virar uma supernova.

Nas últimas duas décadas, os astrônomos tiveram evidências de que sistemas sobrevivem ao estágio da anã branca. Boris Gaensicke, principal autor do estudo, conta que já foram vistos “muitos asteroides, cometas e outros pequenos objetos planetários atingindo anãs brancas", mas para explicar esses eventos é necessário encontrar "corpos maiores de massa planetária” nesses sistemas. Por isso, evidências de um planeta na órbita de uma anã branca é muito importante para prosseguir com essas pesquisas.

Para a grande maioria das estrelas da Via Láctea, incluindo o nosso Sol, o destino reserva o mesmo final das demais anãs brancas: quando elas terminarem de queimar todo o seu combustível nuclear, elas se transformação em enormes gigantes vermelhas e, eventualmente, diminuirão até se tornarem esferas do tamanho da Terra, mantendo massa de proporções solares.

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Gaensicke e seus colegas estudaram uma anã branca chamada WDJ0914+1914, que fica a cerca de 2.040 anos-luz da Terra. Em dados coletados pelo Sloan Digital Sky Survey, os pesquisadores detectaram emissões de hidrogênio, enxofre e oxigênio provenientes de lá. Essa é uma estranha combinação de gases para um sistema de anã branca. Assim, a equipe treinou o Very Large Telescope (VLT) para observar esse fenômeno e o instrumento confirmou a presença dos três elementos, sugerindo que as emissões são provenientes de um anel de gás ao redor da anã branca.

Uma impressão artística de Sirius A (maior) e de Sirius B (menor). Sirius B foi a primeira anã branca descoberta (Imagem: NASA)

Esse disco em torno da anã branca tem aproximadamente 10 vezes o tamanho do nosso Sol, e sua composição é semelhante à dos planetas Netuno e Urano, de acordo com os pesquisadores. Isso significa que os três elementos detectados pelo VLT podem ser mundos semelhantes aos gigantes gasosos do Sistema Solar. Um deles parece medir cerca de quatro vezes mais que a próprio anã branca e sua órbita ao redor da anfitriã é de uma volta a cada 10 dias terrestres.

Mas este planeta parece estar no fim dos seus dias. De acordo com os cálculos da equipe, a anã branca, com sua temperatura de superfície em torno dos 28.000 graus Celsius, está evaporando exoplaneta gasoso a uma taxa de cerca de 3.300 toneladas por segundo. O planeta não pode ser visto diretamente pelos astrônomos, mas eles puderam detectar a atmosfera que está se perdendo.

De acordo com Gaensicke, pode haver muitas outras anãs brancas mais frias com planetas em suas órbitas, “mas faltam os fótons de alta energia necessários para conduzir a evaporação”, impedindo que sejam detectados através deste mesmo método. "No entanto, alguns desses planetas podem [ser] detectáveis ​​usando o método de trânsito, uma vez que o Large Synoptic Survey Telescope estiver ativo", completou. O Large Synoptic Survey Telescope é um grande observatório que está em fase de construção nos Andes chilenos, programado para ficar pronto no início da próxima década.

Fonte: Space.com

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