Estudante de astronomia descobre 17 planetas — e um deles pode ser habitável

Por Daniele Cavalcante | 02 de Março de 2020 às 18h15

A estudante de astronomia Michelle Kunimoto, de 26 anos, encontrou 17 novos exoplanetas, incluindo um potencialmente habitável. Ela já havia encontrado quatro planetas longe do Sistema Solar quando trabalhava em sua graduação na University of British Columbia, no Canadá. Agora, enquanto é candidata a doutorado, descobriu os novos mundos a cerca de mil anos-luz de distância da Terra através de dados do telescópio espacial Kepler, aposentado pela NASA em 2018.

Entre esses planetas, está o KIC-7340288 b, localizado na zona habitável da órbita de sua estrela. Ele tem 1,5 o tamanho da Terra, o que significa que pode ser considerado um mundo rochoso, em vez de gasoso. "Esta é uma descoberta realmente empolgante, já que apenas 15 planetas confirmados na Zona Habitável foram encontrados nos dados do Kepler até agora", disse Kunimoto. Além disso, a distância entre o KIC-7340288 b e sua estrela é um pouco maior que a de Mercúrio e o Sol, e ele recebe cerca de um terço da luz estelar que a Terra obtém do Sol. Quando à sua órbita, o planeta completa a volta ao redor de sua estrela em 142 dias e meio.

Tamanhos dos 17 novos planetas em comparação com Marte, Terra e Netuno. Os planetas laranjas são os recém-descobertos e o verde é o KIC-7340288 b, um planeta rochoso raro na Zona Habitável. (Imagem: Michelle Kunimoto)

Quase todos os outros planetas encontrados por Kunimoto são bem maiores em diâmetro que a Terra - alguns deles chegam a até oito vezes. Já o menor deles tem apenas dois terços do tamanho da Terra, e já é considerado um dos menores planetas encontrados com o Kepler até agora.

Para fazer a descoberta, ela usou a técnica conhecida como "método de trânsito" enquanto procurava por planetas entre as cerca de 200.000 estrelas observadas pela missão Kepler. "Toda vez que um planeta passa na frente de uma estrela, ele bloqueia uma parte da luz da estrela e causa uma diminuição temporária no brilho dela", explicou Kunimoto. Ao encontrar um evento desses, “você pode começar a reunir informações sobre o planeta, como seu tamanho e quanto tempo leva para orbitar”.

Além dos novos planetas, Kunimoto pôde observar vários outros mundos já encontrados pelo Kepler usando o método de trânsito, e fará uma nova análise, uma espécie de censo dos exoplaneta conhecidos. “Um resultado particularmente importante será encontrar uma taxa de ocorrência de planetas terrestres na Zona Habitável. Quantos planetas semelhantes à Terra existem? Fique atento”, disse o supervisor de Kunimoto, Jaymie Matthews.

Fonte: Phys.org

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