Estrela de nêutrons escondida há 32 anos finalmente é avistada

Por Felipe Junqueira | 21 de Novembro de 2019 às 19h30
Universidade de Cardiff

Pesquisadores da Universidade de Cardiff conseguiram encontrar uma estrela de nêutrons que os cientistas estavam procurando há mais de três décadas. Para pôr fim a uma busca de 32 anos, foi utilizado um dos telescópios que ajudou no primeiro registro real de um buraco negro feito pela humanidade — o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), localizado no Chile.

A supernova que deu fim à estrela supergigante azul aconteceu em 1987. A explosão lançou uma nuvem de poeira e detritos tão densa que a estrela de nêutrons resultante não havia sido localizada até hoje. A Supernova 1987A foi registrada em 23 de fevereiro daquele ano por Ian Shelton, da Universidade de Toronto, usando o observatório Las Campanas, no Chile.

Foi o primeiro evento deste tipo observado por aparelhagem moderna. O brilho teve a intensidade de 100 milhões de sóis. Apesar disso, o núcleo restante da explosão da supergigante azul conhecida como Sanduleak -69º 202, a cerca de 160 mil anos-luz da Terra, permanecia escondido até agora.

A estrela de nêutrons que ficou escondida por 32 anos (Foto: Universidade de Cardiff)

Observadores utilizaram o telescópio ALMA para localizar a estrela de nêutrons em meio a uma nuvem de poeira que ainda se dispersa na galáxia conhecida como Grande Nuvem de Magalhães, que fica pertinho da Via Láctea. O estudo foi publicado no The Astrophysical Journal.

“Pela primeira vez podemos dizer que há uma estrela de nêutrons dentro desta nuvem remanescente da supernova”, celebrou o Dr. Phil Cigan, um dos autores do estudo. “Sua luz foi encoberta por uma densa nuvem de poeira, que bloqueou a luz direta da estrela de nêutrons em vários comprimentos de onda, como neblina cobrindo um holofote”.

Outro autor, o Dr. Mikako Matsuura, explicou que o telescópio localizado no deserto do Atacama foi essencial para dar fim à busca de 32 anos. “Apesar de a luz da estrela de nêutrons ser absorvida pela nuvem de poeira que a rodeia, isso faz com que a nuvem brilhe sob luz submilimétrica, que agora podemos ver com o extremamente sensível telescópio ALMA”, disse.

A Supernova 1987A é uma das explosões mais próximas da Terra já registradas. A dificuldade em encontrar a estrela de nêutrons resultante por tanto tempo chegou a criar dúvidas no meio científico, com muitos questionando se a ciência realmente havia entendido o progresso da vida de uma estrela deste tipo. O registro dos pesquisadores da Universidade de Cardiff é essencial para avanços no estudo do universo.

Fonte: Universidade de Cardiff

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