Este blazar "mutante" altera sua aparência com certa frequência

Este blazar "mutante" altera sua aparência com certa frequência

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 10 de Junho de 2021 às 09h00
NASA/CXC/M.Weiss

Uma equipe de pesquisadores descobriu um blazar — um núcleo galáctico ativo com poderosas emissões em todo o espectro eletromagnético — que muda de aparência. Os cientistas começaram a observar o objeto catalogado como B2 1420+32 em de 2017, após a detecção de um enorme “clarão” óptico. O estudo concluiu que ele mudou de forma pelo menos três vezes ao longo de uma década, aproximadamente.

Um blazar é um núcleo galáctico ativo (AGN, da sigla em inglês, que vem de active galaxy nucleus) com um jato relativístico que envia matéria ionizada para fora da galáxia hospedeira em velocidade comparável à da luz. O jato, produzido pelo buraco negro supermassivo que se alimenta de matéria no coração da galáxia, cria um feixe de radiação eletromagnética que está apontado para a direção do nosso planeta, fazendo com que o blazares pareçam muito mais brilhantes do que seriam se o jato apontasse para outra direção.

O artigo novo artigo, no entanto, mostra algo muito peculiar. Ao vasculharem dados de mais de uma década de observação do blazer B2 1420+32, os autores observaram a evolução do espectro e curva de luz do objeto ao longo desse período e encontraram uma “variabilidade dramática no espectro e várias transformações entre as duas subclasses de blazares”. É a primeira vez que cientistas encontram em um único objeto uma variação que o faz transitar entre as duas categorias existentes de blazares.

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Imagem do Sloan Digital Sky Survey de março de 2004 (esquerda) e a imagem da pesquisa feita pelos autores do estudo em janeiro de 2020 (direita). O brilho do blazar aumentou por um fator de 100 (Imagem: Reprodução/Sloan Digital Sky Survey/usando ASAS-SN/Hora D. Mishra)

As duas classes de blazares têm como base teórica as propriedades de emissão óptica — uma diz respeito a quasares de espectro de rádio plano (FSRQ), ou seja, que apresentam linhas de emissão óptica proeminentes e amplas, e a outra é referente aos que não as possuem (BL Lac). A variabilidade em grandes escalas de tempo é uma característica dos AGNs, mas o motivo pelo qual elas ocorrem ainda não está bem definido. Além disso, ainda não havia sido encontrado um blazar que demonstrasse uma variação significativa.

Contrariando as expectativas, a equipe descobriu que o blazar “mutante” tem um desvio para o vermelho de 0,682 e seu buraco negro tem aproximadamente 400 milhões de massas solares. Os dados em conjunto com leituras espectrais sugerem que o blazar migra da classe dos FSRQ para a classe dos BL Lac, e repete o processo várias vezes, em intervalos de semanas ou meses. Tudo isso ao mesmo tempo em que desenvolve novas características espectrais que “exigem pesquisas dedicadas por mais blazares”, escrevem os pesquisadores.

Estudar mais blazares à luz dessa descoberta pode levar os cientistas ao melhor entendimento sobre a física dos AGN e seus jatos relativísticos, que ainda não são bem compreendidos. Isso inclui a mecânica que leva a energia dos jatos a ser transferida para as nuvens de poeira — os pesquisadores suspeitam que esses processos têm grande influência na evolução da própria galáxia hospedeira. “Vemos novos recursos espectrais e variabilidade óptica sem precedentes”, disseram os autores. “Esses resultados abrem a porta para mais estudos de blazares altamente variáveis ​​e sua importância na compreensão da física dos AGN".

Fonte: EurekAlert, Phys.org

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