Estas estrelas ficaram "escondidas" em meio às anãs vermelhas da Via Láctea

Estas estrelas ficaram "escondidas" em meio às anãs vermelhas da Via Láctea

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 19 de Maio de 2021 às 18h10
Goddard Space Flight Center/S. Wiessinger

Um grupo especial de pequenos “monstros” vermelhos está vagando pela Via Láctea. Trata-se das estrelas subanãs vermelhas, que nasceram no halo galáctico e no disco espesso da nossa galáxia. Assim, em um novo estudo, uma equipe de pesquisadores aplicou novos critérios de classificação dessas estrelas para construir uma grande amostra delas, e identificaram características importantes para diferenciá-las das anãs “comuns”.

As subanãs vermelhas são estrelas que têm cerca de um décimo do diâmetro do Sol, com massa que chega a até 50% àquela da nossa estrela. Elas se formam quando o hidrogênio acaba antes da fusão de hélio, e as temperaturas delas podem chegar a quase 50 mil °C. Segundo o prof. Luo Ali, dos Observatórios Astronômicos Nacionais da Academia Chinesa de Ciências (NAOC), saber mais sobre essas estrelas é uma forma de conhecer a história da nossa galáxia.

Comparação entre uma subanã do tipo M e o Sol (Imagem: Reprodução/LAMOST)

Ele explica que “elas são bem raras na vizinhança solar, mas as pessoas as misturaram com algumas anãs vermelhas pobres em metais e nascidas no disco da galáxia”. Assim, a equipe estudou as propriedades de milhares dessas estrelas para entender quais são as diferenças entre as poucas subanãs do tipo M que existem e as anãs normais, as mais numerosas na Via Láctea. Para isso, eles revisaram o sistema de classificação espectroscópica e mediram os parâmetros atmosféricos de amostras dos dois tipos de estrelas.

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Depois, eles analisaram os efeitos da revisão no sistema de classificação usado nas amostras espectroscópicas das subanãs, e descobriram que as “verdadeiras” estrelas, identificadas pela luminosidade e movimento, são as que têm as menores quantidades de metal e maiores forças gravitacionais. Desta forma, os resultados mostraram que este sistema de classificação funciona melhor para identificar estas estrelas.

Esses pontos não foram consideradas em apresentações das características das subanãs vermelhas: “por décadas, as pessoas se referiram às verdadeiras subanãs e a um grupo de anãs pobres em metais como 'subanãs', porque consideraram algumas características espectrais específicas", explicou Zhang Zuo, um dos autores do estudo. Ele ressaltou que estes objetos estelares classificados de forma equivocada se comportam como anãs clássicas, mas que “o valor gravitacional é um ótimo critério para separá-las das subanãs verdadeiras".

O prof. Luo acrescentou a importância do tamanho da amostra das estrelas subanãs, que os ajudou na descoberta: “as análises cinemáticas e químicas mostram que a amostra contém uma mistura de objetos que pertencem a variadas populações estelares, com diferentes origens”, finalizou.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.

Fonte: Phys.org

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