Esta é a imagem mais detalhada das maiores ondas de choque conhecidas no espaço

Esta é a imagem mais detalhada das maiores ondas de choque conhecidas no espaço

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 23 de Fevereiro de 2022 às 15h30
Francesco de Gasperin, SARAO

Grandes ondas de choque no espaço, que se estendem por 6,5 milhões de anos-luz, foram registradas nas imagens mais detalhadas já produzidas. As observações foram realizadas por uma equipe internacional de astrônomos liderada pelo Hamburg Observatory, e mostram as ondas sendo formadas por um dos eventos mais energéticos do universo: a colisão de aglomerados de galáxias.

As galáxias não são distribuídas uniformemente no universo, mas sim em aglomerados de galáxias, onde se mantêm unidas através da gravidade. Só que, além de mantê-las juntas, a gravidade também faz com que os aglomerados galácticos atraiam uns aos outros, e colisões acabam ocorrendo em algum momento. Quando acontecem, estes choques entre aglomerados criam ondas de choque gigantescas.

Imagem ampliada da maior onda de choque, com destaque para os filamentos de sua estrutura e comparação com o tamanho da Via Láctea, se estivesse à mesma distância da onda (Imagem: Reprodução/Francesco de Gasperin, SARAO)

Estas ondas viajam através do aglomerado recém-formado, e a maior delas já observada foi registrada pelo grupo internacional de astrônomos. Eles trabalharam com dados do radiotelescópio MeerKAT, Observatório de Radioastronomia da África do Sul (SARAO), e conseguiram imagens de alta resolução das ondas geradas durante a colisão de dois aglomerados. O resultado deste processo foi a formação do aglomerado “Abell 3667”.

O aglomerado Abell 3667 se formou há um bilhão de anos, mas o que foi medido pelos cientistas ocorreu cerca de 800 milhões de anos atrás. Felizmente, o Abell 3667 é um objeto que pode ser observado com bastante eficiência através do radiotelescópio MeerKat, porque está relativamente próximo do nosso planeta.

O aglomerado galáctico Abell 3667; a área esbranquiçada indica a distribuição de gás no espaço entre as galáxias, e as estruturas em vermelho indicam as ondas de choque durante a formação do aglomerado (Imagem: Reprodução/Francesco de Gasperin, SARAO)

O prof. Francesco de Gasperin, autor principal do estudo, descreve que estas estruturas são mais surpreendentes e complexas do que os cientistas pensavam. “As ondas de choque atuam como aceleradores gigantes de partículas, que aceleram elétrons a velocidades próximas àquelas da luz”, explicou. Quando estes elétrons encontram um campo magnético, eles emitem ondas de rádio observáveis.

Depois, os choques são envoltos em um padrão complexo de filamentos, que indicam a localização das linhas do campo magnético e as regiões em que os elétrons são acelerados. Estas ondas ainda estão viajando através do aglomerado recém-formado, à velocidade de 1.500 km/s — para entender melhor, considere que esta velocidade é alta o suficiente para a onda cruzar a Terra inteira no tempo que você levou para ler esta frase.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Fonte: Astronomy & Astrophysics; Via: University of Helsinki

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