Engenheiros da NASA ainda não sabem como corrigir defeito na sonda InSight

Por Patrícia Gnipper | 20 de Março de 2019 às 14h07
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A sonda InSight, que está em Marte com o objetivo de perfurar a superfície e analisar o interior do planeta, apresentou defeito em um de seus instrumentos no início do mês, e os engenheiros da NASA ainda estão "batendo cabeça" para descobrir como consertar o equipamento.

A ferramenta defeituosa é justamente o "martelo" projetado para escavar vários metros do solo (chamada de Heat and Physical Properties Package, ou HP3), para que a sonda consiga obter leituras de temperatura interna e ajudar a ciência a entender melhor o que acontece lá dentro. Em sua primeira tentativa de perfuração, o instrumento ficou aquém das expectativas. "Com cerca de 30 centímetros de profundidade, encontramos algo. Não sabemos ainda se é uma camada mais dura de regolito ou uma rocha", explica Tilman Spohn, cientista da agência espacial alemã DLR e principal investigador do HP3. O esperado era que a perfuração atingisse de três a cinco metros abaixo da superfície.

(Imagem: NASA)

Então, ainda não se sabe se o instrumento ficou preso em uma rocha ou se ele apresentou mesmo algum defeito de funcionamento. Spohn conta que a profundidade de 30 cm foi atingida após quatro horas de "martelagem", e a equipe ainda tentou mais cinco horas em uma outra sessão, não indo mais a fundo, quando então acharam melhor cessar as tentativas para entender primeiro o que estava acontecendo.

Uma possibilidade para entender o que está havendo é usar o braço robótico da InSight para puxar a estrutura de apoio na superfície e ver se o HP3 está saindo ou se está preso no solo, mas essa movimentação precisaria ser cuidadosamente planejada pois há riscos de danificar, fisicamente, os instrumentos da sonda. Outra ideia é continuar martelando o máximo possível para ver se o instrumento consegue se mover de onde está preso, se for este o caso.

Já o outro instrumento principal da InSight, o sismógrafo, está funcionando corretamente. A NASA afirma que o nível de ruído do instrumento é cerca de 100 vezes abaixo dos melhores sismógrafos da Terra, e isso significa leituras ainda mais precisas dos "marsquakes", fenômeno equivalente aos nossos terremotos. Por enquanto, o sismógrafo ainda não detectou nenhum chacoalhão para medir, mas essa falta de atividade já era esperada, pois os "marsquakes" não acontecem assim com tanta frequência — estima-se que eles aconteçam cerca de 10 vezes por ano, apenas.

Quanto ao HP3, a equipe pretende fazer uma nova tentativa de escavação dentro de algumas semanas, quando saberemos se o instrumento apenas estava preso em uma rocha mesmo, ou se o defeito é mais complexo do que isso.

Fonte: Space News

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