E se pudéssemos ouvir o Sol? O que escutaríamos daqui da Terra?

Por Daniele Cavalcante | 06 de Fevereiro de 2020 às 18h25

A uma distância de 149.600.000 km da Terra, o Sol arde a uma temperatura superficial de 5.500 °C, aproximadamente. Para nós, ele é apenas um círculo amarelo no céu que ilumina o dia, silenciosamente. No entanto, a estrela seria incrivelmente barulhenta para nós se pudéssemos ouvi-la em ação.

Como o som não se propaga no vácuo do espaço, é impossível ouvir qualquer ruído vindo do Sol. Mas isso não significa que o astro do Sistema Solar seja silencioso: se pudéssemos alterar as leis da física por um instante e fazer com que os sons do Sol chegassem até nós, ficaríamos surpresos.

Nessa realidade alternativa, o Sol seria uma máquina perpétua de ruído branco, estridente e com alta intensidade. "O Sol é extraordinariamente alto", diz o especialista em heliofísica Craig DeForest. Em um tópico do Reddit, ele respondeu como seria se pudéssemos ouvir a estrela e, com base em alguns cálculos rápidos, a resposta pode ser resumida em: o Sol é ensurdecedor; afinal, trata-se de uma imensa fornalha de plasma superaquecido.

As reações nucleares que alimentam uma estrela fazem com que estruturas maciças de gás superaquecido subam à superfície e então desçam, repetindo o movimento continuamente. No Sol, existem cerca de um milhão dessas estruturas, semelhantes a células gigantescas. O fenômeno foi recentemente fotografado pela primeira vez em alta definição por um novo telescópio, na imagem que você vê logo abaixo.

Plasma do Sol fotografado pelo telescópio solar Daniel K. Inouye, no final de janeiro. Cada uma das estruturas semelhantes a células é do tamanho do Texas e está em constante movimento de convecção (Imagem: NSO/NSF/AURA)

Resumindo, imagine algo do tamanho do estado norte-americano do Texas emergindo debaixo da superfície, queimando e afundando, tudo num intervalo de apenas cinco minutos. "Esse é um processo extraordinariamente violento - geraria uma quantidade enorme de sons", diz DeForest. Para mostrar isso, ele calculou que cada uma dessas células emite cerca de 100 a 300 watts de energia sonora por metro quadrado, aproximadamente o mesmo que uma sirene de polícia. Bem, se a área de superfície do sol é cerca de 10.000 vezes maior que a Terra, imagine então 10.000 Terras cobertas por sirenes da polícia.

Pelo menos é isso o que ouviríamos se estivéssemos perto do Sol, nessa realidade alternativa onde as leis da física estariam suspensas. Mas e aqui na Terra, o que ouviríamos durante o dia? De acordo com DeForest, seria algo em torno de 100 decibéis, um pouco menos estridente do que os alto-falantes de um show de rock, mas seria difícil até mesmo conversar. À noite, quando nos afastamos do Sol, o rugido desapareceria, e então teríamos um pouco de sossego.

Isso tudo em relação ao volume do som. Quanto ao tipo, DeForest diz que seria algo como um rugido abafado, porque as ondas sonoras que chegariam a nós seriam compostas de muitas frequências diferentes. Mas, para isso, também seria necessário apagar outras regras da física, como o fato de que as ondas sonoras tendem a se acentuar à medida que viajam por longas distâncias. Isso significa que eles acabariam se “quebrando”, como as ondas do oceano, de acordo com DeForest. Mesmo que o som pudesse viajar pelo espaço, as ondas nem sequer sairiam da coroa ou atmosfera do Sol - elas implodiam como ondas de choque, dissolvendo-se em calor.

Fonte: Discover Magazine

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