Descoberta de 39 galáxias anciãs pode mudar nossa compreensão sobre o Universo

Por Daniele Cavalcante | 07 de Agosto de 2019 às 22h30

Um novo conjunto de 39 galáxias massivas e muito antigas foi descoberto por astrônomos, e isso pode mudar a nossa compreensão sobre como o Universo funciona. Usando múltiplos observatórios espaciais e terrestres, os cientistas detectaram e observaram a população oculta de galáxias — e elas são da época que o universo tinha cerca de 2 bilhões de anos.

Invisíveis a telescópios ópticos como o Hubble, a surpreendente população ancestral pode desafiar as teorias convencionais da formação de galáxias, de acordo com os pesquisadores. "Esta é a primeira vez que foi confirmada uma população tão grande de galáxias maciças dos primeiros 2 bilhões de anos do Universo", disse Tao Wang, pesquisador na Universidade de Tóquio e coautor do estudo que foi publicado na revista Nature.

Wang também afirma que "esta descoberta contraria os modelos atuais para esse período da evolução cósmica e ajudará a adicionar alguns detalhes, que estavam faltando até agora". Ele acredita que o conjunto de galáxias, conectadas a buracos negros supermassivos e matéria escura, contradiz com os modelos conhecidos do Universo.

Essa população até então estava invisível aos olhos da ciência. É que, devido à idade e distância, a luz das galáxias é fraca e “esticada” demais. Para complicar ainda mais, existe por lá uma grande quantidade de poeira, que absorve a luz das estrelas. Por fim, o universo está se expandindo, o que torna a distância ainda maior. Com a soma desses fatores, a luz visível é absorvida e sobra então a luz infravermelha, que é invisível aos nossos olhos e indetectável pelo Hubble.

Foi pelo rádio-observatório Atacama Large Millimeter Array (ALMA), localizado no Chile, que a descoberta foi possível. A poeira, que absorve a luz, foi transformada em aliada, porque ela irradia em ondas infravermelhas mais longas. Assim, o ALMA foi capaz de identificar as 39 galáxias de luz fraca a 10 bilhões de anos-luz de distância.

As galáxias fracas identificadas pelo ALMA, a 10 bilhões de anos-luz de distância.

Estudar essas galáxias pode revelar mais informações sobre buracos negros supermassivos e sobre a matéria escura. "Quanto mais massiva é uma galáxia, mais massivo é o buraco negro supermassivo em seu coração. Assim, o estudo dessas galáxias e sua evolução também nos dirá mais sobre a evolução dos buracos negros supermassivos", disse Kotaro Kohno, coautor do estudo e professor da Universidade de Tóquio. "As galáxias massivas também estão intimamente conectadas com a distribuição da matéria escura invisível. Isso desempenha um papel na modelagem da estrutura e distribuição das galáxias. Os pesquisadores teóricos precisarão atualizar suas teorias agora", completou.

Se há muitas galáxias antigas no resto do cosmos, elas devem responder por metade de toda a produção de estrelas do universo presentes no momento, estimam os cientistas. “Elas realmente parecem ser fontes bastante comuns no universo primitivo”, diz Giulia Rodighiero, astrônoma da Universidade de Padova, na Itália, que não esteve envolvida no trabalho.

Outros estudiosos acreditam que, em vez de contrariar a teoria predominante, a nova descoberta provavelmente ajudará a confirmá-la. É o que diz Mauro Giavalisco, astrônomo da Universidade de Massachusetts em Amherst. "Neste estágio, descobertas como essa são muito importantes porque informam a teoria", diz ele. Giavalisco também observou que os teóricos ainda precisam confiar em modelos aproximados de formação estelar, que estão no cerne da questão.

Fonte: ScienceMag

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