Descoberta curiosa "estrela oval" que pulsa apenas em um lado

Descoberta curiosa "estrela oval" que pulsa apenas em um lado

Por Daniele Cavalcante | 12 de Março de 2020 às 07h30
Gabriel Pérez Díaz/IAC

Um tipo de estrela até então conhecida apenas pela teoria foi descoberto a apenas 1.500 anos-luz de distância - uma estrela que pulsa apenas de um lado. Objetos como este já haviam sido previsto na década de 1980, mas esta é a primeira vez que foi visto.

O estranho comportamento do astro foi detectado pela primeira vez por cientistas-cidadãos (a ciência cidadã é formada em parte por colaboradores que não são cientistas profissionais), que estudavam dados do telescópio espacial TESS, da NASA. Sem saber exatamente o que estavam vendo, os cientistas levaram os dados para astrônomos profissionais, em especial Don Kurtz, do Reino Unido, e Gerald Handler, da Polônia.

Kurtz conta que já estava à procura de uma estrela assim há bastante tempo. "Sabíamos teoricamente que estrelas como essa deveriam existir desde os anos 1980", disse o astrônomo. “Estou procurando uma estrela assim há quase 40 anos e agora finalmente encontramos uma”.

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Pulsações dentro de uma estrela são comuns de encontrar. São padrões rítmicos, causados por ondas dentro do objeto. Pensa-se que essas ondas sejam criadas por convecção e pelo campo magnético da estrela, e elas podem ser úteis para saber o que está acontecendo no interior desses corpos celestes. O que não é comum, no entanto, é uma estrela pulsar apenas de um lado.

Animação que ilustra o comportamento da estrela HD74423 (Imagem: Gabriel Pérez Díaz/IAC)

Essa estrela é chamada HD74423, é do tipo A e tem cerca de 1,7 vezes a massa do Sol, embora seja mais jovem. E por que essa oscilação peculiar? A resposta está em sua vizinha, uma estrela anã vermelha que forma um sistema binário com a HD74423. Esses dois corpos estão trancados em uma órbita de apenas 1,6 dia.

Com essa proximidade, a gravidade da anã vermelha está distorcendo a HD74423, puxando-a e fazendo com que sua forma seja oval. Além de distorcer o material de sua companheira, a anã vermelha também está distorcendo as oscilações da estrela maior. Como resultado, temos esse comportamento estranho.

Outra coisa incomum encontrada na HD74423 é a sua composição química. "O que primeiro chamou minha atenção foi o fato de ser uma estrela quimicamente estranha", disse o astrônomo Simon Murphy. "Estrelas como essa geralmente são bastante ricas em metais - mas esta é pobre em metais, o que faz dela um tipo raro de estrela quente". Acredita-se que a baixa metalicidade seja o resultado da absorção de gás desprovido de metais.

Foi necessário esperar quatro décadas para finalmente encontrar a primeira estrela desse tipo. Acontece que as grandes ferramentas disponíveis estão olhando para regiões muito amplas do céu, coletando dados sobre centenas de milhares de estrelas. É difícil para as equipes científicas analisarem tantas informações, e muitas delas estão focadas na busca por novos planetas e outros tipos de pesquisas. Foi graças à ciência cidadã que pudemos chegar a essa nova descoberta.

Atualmente, existem mais de 16.000 voluntários examinando as observações do TESS em busca de planetas e outros eventos incomuns, e qualquer um com um pouco de conhecimento de astronomia pode participar. Agora que os astrônomos sabem como uma estrela assim aparece nos dados dos telescópios, eles já sabem o que procurar nos arquivos de observações para buscar por mais objetos como a HD74423.

Fonte: Science Alert

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