Dados da missão Dawn são analisados e revelam muito mais sobre Ceres

Por Patrícia Gnipper | 21 de Junho de 2019 às 14h15
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A missão Dawn, da NASA, visitou o planeta-anão Ceres, que fica no Cinturão de Asteroides entre Marte e Júpiter, entre os anos de 2015 e 2018. Dados e imagens já foram divulgados durante o andamento da missão, mas agora cientistas europeus envolvidos no projeto publicaram um estudo na revista Nature com muito mais detalhes sobre Ceres.

O planeta-anão é um lugar bastante estranho e peculiar, abrigando coisas como um pico vulcânico de 4.000 metros de altura feito de água salgada, lama e rocha, por exemplo. Ceres tem quase mil quilômetros de diâmetro e é o maior corpo do cinturão, sendo também o primeiro planeta-anão visitado por uma espaçonave.

Concepção artística do vulcão Ahuna Mons (Imagem: NASA)

Uma das descobertas mais intrigantes da Dawn foi justamente o vulcão Ahuna Mons, e cientistas do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) descobriram como essa característica estranha se formou em um pequeno planeta-anão. Wladimir Neumann, cientista planetário do DLR, conta que "nesta região, o interior de Ceres não é sólido e rígido, mas se move e é pelo menos parcialmente fluido".

O vulcão Ahuna Mons é o que se eleva a 4 km da superfície, com lados lisos indicando que o vulcão se formou recentemente, já que não apresenta crateras de impacto típicas do restante da superfície. Ao medir a gravidade de Ceres e estudar sua estrutura interior, a equipe concluiu que o vulcão foi criado quando uma bolha de lama, água salgada e rocha se ergueu do interior do planeta-anão, com essa bolha estourando através de um ponto fraco na crosta superficial. Sendo assim, Ahuna Mons é, basicamente, um vulcão de lama gigante.

Esta é a melhor imagem registrada pela Dawn mostrando o pico de Ahuna Mons (Foto: NASA)

Ainda, os cientistas supõem que o planeta-anão é semelhante em composição a outros mundos da mesma região, com Ceres consistindo, principalmente, de rochas silicosas (contendo sílica ou dióxido de silício). Mas ali também tem uma quantidade considerável de gelo e, provavelmente, camadas de água no estado líquido. A equipe também acredita que Ceres tenha uma proporção maior de água doce do que a Terra — até um quarto da massa do planeta-anão seria composta por gelo ou água.

Em seu interior, Ceres apresenta camadas variadas, com elementos pesados com o ferro afundado no centro, enquanto substâncias mais leves, como água e silicatos de rocha contendo alumínio, sobem. E, ainda que Ceres tenha cerca de 4,5 bilhões de anos de idade, o decaimento radioativo de elementos em seu interior ainda está gerando calor. Este calor, então, libera bolhas da lama de salmoura e rocha, que são pressionadas contra a crosta sólida e o resultado é a formação de cúpulas de até 1 km de altura quando a pressão interna rompe a crosta, fazendo a lama subir à superfície e se solidificar.

Esse tipo de atividade crio-vulcânica está presente em outros mundos do Sistema Solar, como algumas luas de Júpiter e de Saturno, por exemplo. No entanto, eles são mundos muito maiores — e o estudo mostra que planetas-anões, e quem sabe até mesmo grandes asteroides, podem formar essas bolhas em seus interiores, permitindo a formação de vulcões como o observado em Ceres. Esse processo pode levar bilhões de anos para acontecer, desde que o decaimento radioativo ainda esteja fornecendo calor no interior desses objetos espaciais.

Esquema do interior de Ceres criado a partir dos dados da Dawn. A crosta de 40km de espessura é composta por gelo,,sais e minerais hidratados; abaixo dela, provavelmente existe uma camada de lama e, mais abaixo, o manto rochoso (Imagem: NASA)

Fonte: NASA, Universe Today

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