Chineses ativam o primeiro radiotelescópio posicionado no lado afastado da Lua

Por Felipe Junqueira | 03 de Dezembro de 2019 às 23h00
Dwingeloo Radio Observatory

Um experimento que levou mais de um ano para ser concluído no lado afastado da Lua finalmente está em funcionamento. Não está ainda 100%, mas o Netherlands-China Low-Frequency Explorer (NCLE, ou "explorador de baixa frequência dos Países Baixos-China”) já consegue captar sinais de rádio sem a interferência da ionosfera terrestre.

A missão chinesa Chang’e 4 abriu as três antenas do NCLE, um observatório que pode ajudar a captar sinais dos primórdios do universo, buscando emissões de hidrogênio do período conhecido como Idade das Trevas do Universo, quando nem mesmo as primeiras estrelas haviam se formado ainda. Mas uma pequena falha na abertura de uma das antenas vai atrasar um pouco essa pesquisa.

Abertura de uma das antenas do NCLE (Marc Klein Wolt / Radboud University)

O NCLE orbita a Lua há cerca de 18 meses, aguardando para dar início à segunda fase da missão. Com a Chang’e 4 por perto, os chineses aproveitaram para iniciar o processo de captura dos dados, abrindo as antenas. Uma delas, no entanto, não se abriu por inteiro, mas o radiotelescópio consegue detectar emissões de hidrogênio de cerca de 800 milhões de anos após o Big Bang - próximo do que pretendiam com 100% de funcionamento.

“Nossa contribuição para a missão chinesa Chang’e 4 aumentou tremendamente”, disse Marc Klein Wolt, líder da equipe holandesa. “Temos a oportunidade de fazer nossas observações durante as noites de 14 dias atrás da Lua, tempo bem maior do que a ideia original. A Lua agora é nossa”, celebrou. A esperança dos pesquisadores é que o experimento os ajude a desvendar um pouco mais os mistérios da formação do universo.

Fonte: Radboud University

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