China libera mais fotos do lado afastado da Lua, tiradas pela missão Chang'e 4

Por Daniele Cavalcante | 22 de Janeiro de 2020 às 18h25
CNSA/CLEP/Doug Ellison
Foto: CNSA

A China acaba de liberar mais um pacote de dados coletados pelo lander da missão Chang'e-4 e também pelo rover Yutu-2, que continuam suas investigações no lado afastado da Lua. Os equipamentos robóticos estavam em modo de hibernação durante a última noite lunar (que dura cerca de duas semanas terrestres) e “acordaram” em 18 e 19 de janeiro, respectivamente, para iniciar o 14° dia de permanência no nosso satélite natural.

Na última segunda-feira (20), a Administração Espacial Nacional da China (CNSA) publicou um novo conjunto de imagens e dados, incluindo fotos da Lua em alta resolução, tiradas pela Terrain Camera de 360° da sonda estacionária e pela câmera panorâmica do jipe espacial.

No início do ano, a CNSA disponibilizou uma enorme quantidade de dados científicos coletados pela sonda e imagens capturadas pelas suas câmeras, em comemoração ao aniversário de um ano do pouso histórico no lado afastado da Lua. Os dados foram coletados durante um período de 12 dias lunares, o que equivale a quase o ano inteiro de 2019.

Infelizmente, não é tão simples navegar nos mais de 20 GB de informações para visualizar as imagens. Mas Doug Ellison, líder da equipe de engenharia da câmera do rover Curiosity, da NASA, baixou uma série desses dados, processou as imagens em formatos mais amigáveis, e publicou algumas em sua conta no Twitter.

Foto: CNSA

Ellison também uniu fotos individuais para produzir imagens maiores, além de panoramas. As imagens incluem também vistas detalhadas de crateras e regolitos, em especial a Cratera Von Kármán, além de várias fotos do lander e do rover, do horizonte distante e das trilhas que o Yutu-2 deixou na superfície lunar.

Outros também se dedicaram a processar as imagens da missão chinesa. O Techniques Spatiales, uma conta francesa no Twitter relacionada ao espaço, converteu dados da câmera do lander em imagens visíveis e você pode acessá-las aqui. Já a galeria de Ellison pode ser vista aqui.

Philip Stooke, cartógrafo do Centro de Ciência e Exploração Planetária da Western University de Ontário, usou os novos dados para refinar os mapas que traçam a rotado Yutu-2. Nos seus primeiros 13 dias lunares, o rover dirigiu 351 metros.

Foto: CNSA/CLEP/Doug Ellison

A sonda estacionária Chang'e-4 e o rover Yutu-2 são movidos a energia solar. Por isso, eles hibernam durante a noite lunar e “acordam” entre 24 e 48 horas após o nascer do Sol no local de pouso da missão. Eles se desligam cerca de 24 horas antes do pôr do Sol.

O Yutu-2 começou seu 14º dia lunar em 18 de janeiro, e o módulo de alunissagem começou o seu em 19 de janeiro, de acordo com o Programa de Exploração Lunar da China. O rover e o lander já excederam a vida útil prevista, mas continuam operando com todas as ferramentas científicas em boas condições, de acordo com a CNSA.

A China já está se preparando para iniciar a missão da Chang'e-5, que deverá trazer amostras da Lua, no final deste ano. A sonda será lançada no foguete Long March 5 e essa será a primeira missão dedicada a pegar amostras lunares e trazê-las à Terra desde os anos 1970.

Fonte: Space.com

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