Brasileira encontra dupla de buracos negros supermassivos
Por Danielle Cassita • Editado por Luciana Zaramela |

Telescópios da NASA acabam de revelar o par de buracos negros supermassivos mais próximos já observados. Os dados do Hubble e Chandra mostraram que os objetos estão separados por apenas 300 anos-luz e que estão mergulhados em um par de galáxias, sendo alimentados por gás e poeira enquanto brilham como núcleos galácticos ativos (ou AGNs, na sigla em inglês).
Os dois buracos negros supermassivos estavam no núcleo de suas respectivas galáxias, mas elas começaram a se fundir e os aproximaram. Por isso, eles vão continuar se aproximando em espiral até acabarem mesclados em, quem sabe, 100 milhões de anos. Quando isso acontecer, vão causar poderosas ondas gravitacionais que vão distorcer brevemente o tecido do espaço-tempo.
O par de AGNs em questão é o mais próximo já detectado no universo local em observações de raios X e da luz visível. Claro, outros buracos negros já foram encontrados bem próximos antes, mas todos estavam separados por distâncias muito maiores que aquelas observadas agora na galáxia MCG-03-34-64.
A descoberta foi uma surpresa para os autores, que notaram que as imagens de alta resolução do Hubble revelaram três pontas de difração (artefatos que surgem quando a luz de uma pequena região no espaço é distorcida pelo espelho do telescópio) na galáxia.
Isso indica que havia bastante gás concentrado em uma área pequena. “Essa visão não é uma ocorrência comum no universo próximo, e nos mostrou que havia algo mais acontecendo dentro da galáxia”, comentou Anna Trindade Falcão, autora que liderou o estudo. Ela é graduada em Física pela Universidade Federal de Minas Gerais e hoje atua no Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian, em Cambridge.
Intrigados, os pesquisadores decidiram analisar a galáxia novamente, mas em raios X, com o telescópio Chandra. “Quando observamos o MCG-03-34-64 na banda de raios X, vimos duas fontes separadas e poderosas de emissão de alta energia que coincidiam com os pontos de luz ópticos brilhantes vistos com o Hubble. Ligamos os pontos e concluímos que provavelmente estávamos observando dois buracos negros supermassivos bem próximos”, descreveu.
Através de dados arquivados do observatório Karl G. Jansky Very Large Array, eles perceberam que a dupla de buracos negros emite fortes ondas de rádio. “Quando você vê uma luz brilhante em comprimentos de onda da luz visível, de raios X e de rádio, muitas coisas podem ser descartadas, levando à conclusão de que estas emissões só podem ser explicadas como buracos negros próximos”, finalizou.
No entanto, a terceira fonte luminosa observada pelo Hubble continua um mistério. Mais dados são necessários para confirmar sua natureza, mas por enquanto, os pesquisadores suspeitam que ela talvez gás que se chocou com a energia do jato disparado por um dos buracos negros.
O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.
Fonte: The Astrophysical Journal, NASA