Blue Moon | Jeff Bezos revela novos detalhes sobre viagem à Lua da Blue Origin

Por Patrícia Gnipper | 09 de Maio de 2019 às 21h30
Blue Origin

Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin, realizou um evento nesta quinta (9) na Casa Branca dos Estados Unidos para anunciar novos detalhes sobre a Blue Moon, nave de sua empresa espacial que poderá chegar à Lua até o ano de 2024.

A nave em questão é um módulo de pouso capaz de pousar na superfície lunar e acessar seus recursos preciosos. Para Bezos, chegar à Lua não tem apenas valor exploratório e científico, mas, principalmente, tem valor relacionado à prosperidade da espécie humana. Ao se questionar "onde viveriam um trilhão de humanos?", pensando em um ponto em que a Terra terá essa quantidade de pessoas, ele entende que a única maneira de assegurar a sobrevivência da humanidade, bem como sua evolução, é chegar presencialmente a outros mundos.

Contudo, o impedimento real para essa ideia ainda um tanto quanto utópica se resume, na visão de Bezos, à falta de logística e infraestrutura para reduzir os custos de uma jornada espacial do tipo. "O trabalho da minha geração é construir essa infraestrutura. Vamos construir o caminho para o espaço", declarou.

Entendendo o contexto da atual exploração lunar

A NASA foi pressionada pelo governo dos EUA e precisou antecipar seus planos de retornar presencialmente à Lua de 2028 para 2024. E os polos lunares norte e sul são alvos de grande interesse, por sinal: a NASA estima que exista pelo menos meio trilhão de quilos de gelo nos polos da Lua, de acordo com dados coletados por missões que já estudaram essas regiões do satélite natural anteriormente — como foi o caso da Chandrayaan-1, da agência espacial indiana.

O gelo polar fica bloqueado em crateras, sendo incapaz de evaporar, já que ali as temperaturas nunca sobem o suficiente para tal. E a NASA espera usar esse gelo para produzir combustível para foguetes e naves que, no futuro, partirão da Lua rumo a outros mundos — e Marte será a nossa primeira parada, provavelmente no final da década de 2030.

A ideia é chegar à Lua contando com a Gateway, uma plataforma orbital lunar, usando o satélite natural como impulsionador para a futura viagem rumo a Marte (Imagen: NASA)

Só que esse retorno triunfal à Lua, desta vez "para ficar" (nas palavras de Mike Pence, vice-presidente dos EUA), será um empreendimento caríssimo — e o orçamento para tal ainda não foi revelado. Por isso, a NASA está contando com parceiros da indústria privada para que desenvolvam naves capazes de fazer esse traslado entre a órbita e a superfície da Lua, e vice-versa. A NASA, por sua vez, está desenvolvendo o foguete Space Launch System e a nave tripulável Orion, mas, para cumprir o prazo de 2024, precisará das empresas privadas no desenvolvimento das demais soluções que fazem parte desta empreitada espacial. E aí entram empresas como a Blue Origin na jogada.

Blue Origin e Blue Moon

Conceito da Blue Moon (Imagem: Blue Origin)

No evento de hoje (9), Bezos revelou um pouco mais sobre o módulo lunar Blue Moon. A nave está sendo projetada para transportar robôs e outras cargas grandes para a superfície lunar, mas também é capaz de levar astronautas se for preciso. Para modificar a nave neste caso de um voo tripulado, a empresa só precisaria desenvolver um veículo secundário de subida, pressurizado e acoplável ao módulo principal. Mas, antes de pensar em levar pessoas à Lua, a Blue Origin vai primeiro testar o módulo lunar em uma missão inicial a ser lançada para o satélite natural nos próximos anos.

Vale ressaltar que a NASA ainda não escolheu qual empresa desenvolverá o módulo de pouso a ser usado na missão lunar de 2024, então o Blue Moon pode, sim, ser um bom candidato. Outra empresa que está nessa jogada é a Lockheed Martin, que já revelou projetos de um módulo lunar próprio a ser apresentado à NASA.

A Blue Moon será alimentada por hidrogênio líquido, possuindo um sistema de bordo capaz de navegar no espaço, e também utilizando internet para se comunicar com a Terra. Ainda, microssatélites poderão ser amarrados ao topo da nave e levados à órbita lunar, com a Blue Moon também sendo capaz de levar um rover exploratório à superfície da Lua.

Conceito de como seria possível acoplar um módulo secundário para permitir a ida de astronautas à Lua com a Blue Moon (Imagem: Blue Origin)

A nave conta com um sistema de transporte interno capaz de mapear o terreno lunar com o objetivo de escolher o local de pouso ideal. Bezos explica que o sistema usa mapas existentes da superfície lunar para determinar exatamente onde navegar em relação aos pontos de referência que já nos são conhecidos, graças a missões lunares do passado. O veículo conta com um trem de pouso capaz de pousar em inclinações de até 15 graus, sendo capaz de transportar de 3,6 a 6,5 toneladas de carga (incluindo humanos e um rover).

A ideia é que a Blue Moon pouse na Lua até 2024, justamente para se encaixar nos planos da NASA e do governo dos EUA de levar novos astronautas para lá em tal ano.

Fonte: Blue Origin, TechCrunch (1) e (2), Space.com

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