Astrônomos fazem observação direta de planeta orbitando estrela a 63 anos-luz

Por Patrícia Gnipper | 14 de Novembro de 2018 às 19h35
ESO

Nas últimas décadas, estamos descobrindo milhares de exoplanetas — aqueles que orbitam estrelas que não sejam o nosso Sol. A maioria dessas descobertas se dá pela análise do trânsito, quando o planeta passa em frente à sua estrela e, durante esse movimento, o brilho da estrela apresenta variações detectáveis à distância, indicando, então, que um mundo grande o suficiente para ser considerado um planeta está passando por ali. Outro método para detectar exoplanetas é a análise da influência gravitacional, quando a gravidade deste objeto exerce influência sobre outro (ou outros) em sua região.

E pouquíssimos exoplanetas já foram observados diretamente em comprimentos de onda visível ou infravermelha. Mas um deles é o Beta Pictoris b, planeta jovem e maciço descoberto em 2008 pela equipe do ESO (European Southern Observatory). Agora, dez anos depois, a mesma equipe decidiu rastrear o movimento do planeta ao redor de sua estrela, e conseguiu registrar imagens impressionantes do exoplaneta em questão.

Na época de sua descoberta, a equipe determinou que o Beta Pictoris b seria um planeta do tipo "Super-Júpiter", com a massa de 13 planetas Júpiter e raio de cerca de uma vez e meia a do nosso maior gigante gasoso. O exoplaneta orbita sua estrela a uma distância de cerca de nove vezes a distância entre a Terra e o Sol. As observações iniciais também notaram a presença de cometas e dois discos de detritos por ali.

Mas, com equipamentos mais modernos ao longo dos últimos anos, a equipe conseguiu rastrear melhor o Beta Pictoris b entre o final de 2014 e o final de 2016, vendo um momento em que o planeta passou tão perto do halo de sua estrela que praticamente foi impossível diferenciar um objeto do outro. E em setembro de 2018 esse fenômeno foi novamente observado.

Então, a equipe apontou o instrumento SPHERE para a localização do exoplaneta, cuja atmosfera refletiu a luz de sua estrela e permitiu uma rara observação direta. Aí, com o Very Large Telescope, os pesquisadores conseguiram, finalmente, capturar uma série de imagens sem precedentes mostrando a passagem do Beta Pictoris bb em torno de sua estrela-mãe.

(Imagem: ESO)

Para os próximos anos, espera-se um aumento significativo de observações diretas de exoplanetas cuja existência foi confirmada por meio da técnica do trânsito, muito disso graças aos telescópios da próxima geração que terão resolução ainda maior, além de mais sensibilidade. Entre eles, estão o telescópio espacial James Webb, e os terrestres Extremely Large Telescope (ELT) e Giant Magellan Telescope (MGT).

Fonte: Phys.org

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