Astrônomos brasileiros detectam planeta do tamanho de Saturno a 1,2 mil anos-luz

Por Redação | 04 de Setembro de 2017 às 15h03

Um planeta do tamanho de Saturno foi descoberto por uma equipe formada apenas por astrônomos brasileiros. O planeta orbita uma estrela localizada na constelação de Monoceros, a 1,2 mil anos-luz a partir da Terra, e o astro é parecido com o nosso Sol.

O exoplaneta é um gigante gasoso apelidado como “Júpiter quente”, e, apesar de ser do tamanho de Saturno, ele tem metade de sua massa, e também é de baixa densidade. Se ele fosse um cubo de gelo, poderia flutuar sobre a água, por exemplo.

De acordo com os astrônomos, o planeta está muito próximo de sua estrela, completando uma órbita a seu redor em pouco menos de sete dias. Ele se encontra em uma situação conhecida como “armadilha de maré”, em que um lado do planeta fica completamente voltado para a estrela, assim como a Lua fica posicionada em relação à Terra. Por conta disso, a temperatura do lado do planeta que fica de face à estrela passa dos 1,1 mil graus Celsius, produzindo ventos que cortam sua atmosfera a milhares de quilômetros por hora.

A equipe conseguiu descobrir o planeta graças a um algoritmo que analisa dados do observatório espacial europeu Corot. Desenvolvido pelo astrônomo brasileiro Rodrigo Bonfleur fez parte de seu doutorado no Observatório Nacional, e sua tese foi defendida na instituição na última segunda-feira (28).

Bonfleur explicou que seu algoritmo modificou os parâmetros para correção das chamadas “curvas de luz”, detectadas pelo Corot. Essas correções são necessárias para separar os sinais da presença de planetas na órbita de uma estrela de eventuais ruídos, como a variação natural no brilho dos astros, e limitações do próprio equipamento. Com isso, foi possível revelar não somente a existência do exoplaneta, como outros dois fortes candidatos que ainda precisam ser confirmados.

A descoberta foi registrada no periódico científico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e, segundo José Dias do Nascimento, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que é um dos coautores do artigo, o desenvolvimento do algoritmo de Bonfleur, com a colaboração dos astrônomos brasileiros, coloca o nosso país junto à “elite mundial” dos caçadores de exoplanetas.

Fonte: O Globo

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