Astronautas vivem em cavernas em preparação para futuras viagens espaciais

Por Patrícia Gnipper | 20 de Setembro de 2019 às 18h50
ESA

Seis astronautas de cinco agências espaciais estão começando a colocar em prática o projeto CAVES, que os levará a cavernas na Terra para ajudá-los a se preparar para futuras missões espaciais que estabelecerão colônias em outros planetas, bem como explorarão o subterrâneo da Lua. A ESA (agência espacial europeia) está encarregada de equipar a equipe internacional com habilidades para explorar esses terrenos, com foco na busca por água.

Ainda, o CAVES visa melhorar, nos astronautas, suas capacidades de comunicação, resolução de problemas e trabalho em equipe. A primeira caverna que está sendo explorada pelo time agora fica na Eslovênia, onde eles viverão e trabalharão juntos por seis dias. “Tudo faz parte de uma simulação, mas a experiência é a mais próxima possível neste planeta das restrições ambientais, psicológicas e logísticas de uma missão espacial”, explica Loredana Bessone, envolvida com a missão. "O treinamento envolve ciência real, operações reais e astronautas reais com os melhores espeleólogos do setor", acrescenta — vale dizer que a espeleologia é a ciência que estuda as cavidades naturais do planeta, incluindo suas formações, constituições, características físicas, formas de vida e sua evolução ao longo do tempo.

(Foto: ESA)

Os seis "cavenautas", como estão sendo chamados, são eles: Alexander Gerst, da ESA; Joe Acaba e Jeanette Epps, da NASA; Nikolai Chub, da Roscosmos; Josh Kutryk, da agência espacial canadense; e Takuya Onishi, da JAXA. Eles já estão por lá a partir desta sexta-feira (20), montando o acampamento para então passar os seis dias do treinamento no local, contando com equipes de instrutores e pessoal de segurança. Contudo, eles tomarão as próprias decisões, trabalhando de maneira autônoma e isolados do mundo exterior, justamente para simular ao máximo uma situação do tipo em outro planeta. Até mesmo atrasos de comunicação fazem parte da missão, para deixar a coisa ainda mais realista.

A equipe vai aprender a rastrear água e, seguindo os fluxos de ar e água como sinais de novos caminhos a serem percorridos. A caverna escolhida pela ESA para esta edição da CAVES fica numa área onde rios fluem no subsolo, mas, para manter o elemento da exploração, os próprios astronautas não sabem a localização exata dessas fontes aquosas. A entrada da caverna conta com um verdadeiro labirinto de passagens quase que inexploradas pela humanidade, e os "cavenautas" poderão ajudar a fazer mais descobertas científicas na caverna, além de tudo.

(Foto: ESA)

Já acima do solo, o controle da missão acompanha o progresso da equipe com um mapa 3D gerado em tempo real ao longo da exploração interior. Então, os cientistas poderão atrelar as observações científicas com fotos de cada local, enviando seus comentários de volta para a caverna, em um verdadeiro trabalho de equipe dentro e fora do local.

"Enquanto as as agências espaciais se preparam para a exploração da Lua, a ESA está assumindo a liderança em expedições subterrâneas para moldar futuras missões de exploração de cavernas lunares, e ideias sobre como detectar, mapear e explorar cavernas na Lua são bem-vindas", diz a agência.

Fonte: ESA

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