Astronautas contam como a experiência de ver a Terra do espaço mudou suas vidas

Por Patrícia Gnipper | 23 de Fevereiro de 2018 às 13h44

O sonho de muitos de nós é viajar para o espaço, e ver a Terra lá do alto. Afinal, se já ficamos sem fôlego só de olhar as fotografias incríveis que os astronautas tiram de nosso planeta lá da Estação Espacial Internacional (ISS), que dirá ver aquele cenário desbundante ali, ao vivo e em cores, não é mesmo?

Em quase seis décadas de exploração espacial humana, 556 pessoas tiveram a experiência de sair da Terra, de alguma maneira. E somente 24 delas puderam observar o planeta ficando cada vez menor à medida em que se deslocavam rumo ao espaço, sendo que, desse total, apenas 6 estiveram completamente sozinhos atrás do outro lado da Lua.

E é justamente sobre isso que a National Geographic decidiu falar: a conceituada revista entrevistou seis astronautas para descobrir como essa experiência, reservada para poucos, impactou em suas vidas.

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Samantha Cristoforetti

A astronauta italiana em seu uniforme (Foto: National Geographic/Martin Schoeller)

A italiana é a atual detentora do recorde de "a segunda mulher a fazer um voo espacial ininterrupto mais longo", após passar 199 dias na ISS, em 2015. Cristoforetti contou que o longo tempo em órbita fez com que ela refletisse sobre a humanidade e seu tempo na Terra. Isso porque as massivas forças geológicas que esculpem a superfície do planeta fazem com que essas estruturas sejam visíveis lá do alto, e as eras antigas em que a humanidade construiu coisas monumentais, como as pirâmides do Egito, por exemplo, acabam se mesclando com as formações naturais quando tudo é visto do espaço.

"Você tem esse planeta abaixo de você, e muito do que vê, especialmente durante o dia, não indica necessariamente a presença humana. Se você olhar para tudo isso em uma escala de tempo geológica, é quase como se tivéssemos uma presença frágil, e nós realmente precisamos ficar juntos como uma família humana para ter certeza de que somos uma presença permanente neste planeta, e não apenas um piscar de olhos", declarou.

Mike Massimino

Astronauta com ares de poeta (Foto: National Geographic/Martin Schoeller)

O astronauta norte-americano da NASA visitou o telescópio espacial Hubble em 2009, em uma missão para consertar o equipamento pela última vez. Enquanto estava ali, Massimino contou que ficou fascinado pela Terra, admirando as florestas tropicais sul-americanas, os desertos africanos e as luzes noturnas das cidades, enxergando a Terra com olhares paradisíacos.

"Eu pensei que, se você pudesse estar no céu, seria assim que você veria o planeta. Então refleti e disse: não, é ainda mais bonito do que isso. É assim que o céu deve se parecer. Penso em nosso planeta como um paraíso e temos muita sorte por estarmos aqui", em suas palavras.

Karen Nyberg

Karen Nyberg, criadora do primeiro brinquedo construído no espaço (Foto: National Geographic/Martin Schoeller)

Em 2013, a astronauta texana visitou a ISS pela segunda vez. Lá, ela construiu um dinossauro de brinquedo para seu filho, que tinha três anos na época, e este pode ter sido o primeiro brinquedo costurado no espaço, feito com materiais de reposição. Essa experiência fez com que Nyberg se aproximasse, mentalmente, se seus entes queridos, enquanto não voltava à Terra.

Mas seu projeto também fez com que a astronauta pensasse sobre os ecossistemas passados e o presente. "No futuro, eu gostaria de ser mais uma defensora da conservação dos animais. Todo animal pequeno é importante nesse ecossistema", disse a astronauta, que acredita, ainda, que ver o planeta lá do alto "faz você perceber isso, e faz você querer ser um pouco mais proativo para mantê-lo assim".

Gennady Padalka

Cosmonauta russo e recordista (Foto: National Geographic/Martin Schoeller)

O cosmonauta russo tem o recorde atual do maior tempo vivido no espaço, com 878 dias de experiência espacial contando suas missões desde 1998 até 2015. Padalka disse que essa vivência foi uma lição de trabalho em equipe, já que é preciso que a equipe trabalhe realmente em conjunto para que tudo dê certo no ambiente letal de um voo espacial.

Ainda, ele acredita que o planeta sobreviverá mesmo com alterações significativas feitas pela humanidade. Já quanto à nossa sobrevivência enquanto espécie, o russo tem lá suas dúvidas.

Ed Lu

Ed Lu ficou sem palavras (Foto: National Geographic/Martin Schoeller)

Astronauta da NASA com voos espaciais desde 1997 a 2003, Lu ficou impactado ao ver lá de cima as gigantescas crateras da crosta terrestre. Em 2002, ele decidiu co-fundar a B612 Foundation, organização sem fins lucrativos que trabalha por uma "engenharia na maior escala imaginável", com o objetivo de evitar qualquer impacto devastador caso asteroides atinjam a Terra novamente.

"A impressão primordial que tive da vida na Terra é o quão robusta ela é. A vida conseguiu essencialmente cobrir completamente este planeta em todos os tipos de lugares diferentes", disse. Lu declarou, também, que a Terra do espaço é tão cativantemente bela, que nunca ficou entediado olhando para baixo.

Leland Melvin

Ex-atleta e astronauta da NASA (Foto: National Geographic/Martin Schoeller)

O ex-atleta que virou astronauta da NASA mudou sua vida por completo em 2008 e 2009, quando pôde ir ao espaço durante uma missão da agência espacial dos EUA. Os tons de cores são tão variados, que Melvin ficou procurando maneiras de descrever todos os tons de azul que pôde observar lá do alto.

Ele segue tentando inspirar as pessoas, especialmente crianças, a preservar o nosso planeta, garantindo que tudo o que ele viu a partir do espaço permaneça belo como em suas lembranças. "Estamos geneticamente conectados a este planeta. E a Terra é única em sua capacidade de suportar a vida tal como a conhecemos. A última década da astronomia nos mostrou que somos um dos bilhões de mundos da Via Láctea, mas nossa teia emaranhada de geologia, ecologia e biologia torna única essa estranha rocha", declarou.

Então, considerando a experiência singular desses astronautas que viveram, ainda que por um curto período de suas existências, observando a Terra do espaço, podemos afirmar que, realmente, "não há lugar como o nosso lar" (parafraseando Dorothy, em O Mágico de Oz).

Fonte: National Geographic

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