Astronauta teve trombose venosa profunda enquanto estava na ISS

Por Daniele Cavalcante | 03 de Janeiro de 2020 às 18h00
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Em novembro de 2019, a NASA descobriu que astronautas podem ter problemas no fluxo sanguíneo se permanecerem por períodos prolongados em um ambiente de microgravidade. E parece que isso é algo com o que os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) devem mesmo se preocupar, especialmente após um deles ter sido diagnosticado com trombose venosa profunda (TVP) na veia jugular.

O astronauta estava realizando um ultrassom no pescoço como parte das pesquisas sobre como o fluido corporal é redistribuído no corpo humano na microgravidade. Embora ele não tenha apresentado outros sintomas, o exame mostrou nitidamente a presença de um coágulo de sangue na jugular.

A doença é potencialmente fatal porque os coágulos podem se mover para pontos vitais, como pulmões, coração ou cérebro. E para piorar a situação dos astronautas, que estão sujeitos a esse problema, a medicina espacial ainda não conta com procedimentos para o tratamento da TVP em ambientes fora da Terra.

Felizmente, o astronauta diagnosticado foi tratado remotamente com a ajuda do Dr. Stephan Moll, da Universidade da Carolina do Norte, durante um período de três meses. Embora não houvesse os medicamentos mais adequados para o tratamento a bordo da ISS, havia o anticoagulante Enoxaparin, que foi suficiente — ainda bem. Por motivos de privacidade, o nome do astronauta não foi revelado.

Dr. Stephan Moll, nas instalações da NASA (Foto: UNC School of Medicine)

Moll contou que sua primeira reação quando a NASA o procurou “foi perguntar se eu poderia visitar a ISS para examinar o paciente”. A agência espacial disse que não poderia levá-lo ao espaço com a rapidez necessária, então o médico continuou com o processo de avaliação e tratamento remotamente. Ele prescreveu doses do anticoagulante a serem administradas por injeções por mais de 40 dias e, três dias após esgotar o estoque, uma remessa de Apixaban, em forma de pílula, chegou à ISS, permitindo que o tratamento se estendesse a um total de mais de 90 dias.

Durante esse período, o astronauta realizou mais exames de ultrassom enquanto Moll o consultava via e-mail e telefonemas. A equipe médica interrompeu as doses quatro dias antes de o astronauta entrar na cápsula Soyuz e voltar à Terra, onde já se recuperou completamente.

A trombose é uma doença que apresenta poucos sintomas e, às vezes, nenhum. Isso preocupa o Dr. Moll porque, se todos os astronautas no espaço podem desenvolver esse quadro, como prevenir e minimizar os riscos? Essa é uma pergunta que a medicina espacial deve responder o quanto antes.

Fonte: New Atlas

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