Asteroide que caiu na Terra em 2018 pode ter vindo de impactos em Vesta

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 25 de Abril de 2021 às 09h00
Reprodução/SETI

Em junho de 2018, o asteroide 2018 LA caiu no Deserto de Kalahari, em Botswana. O impacto deixou fragmentos, de modo que mais de 20 meteoritos foram encontrados posteriormente na reserva Central Kalahari Game. Agora, uma equipe de cientistas conseguiu reconstituir a origem da rocha em 22 milhões de anos de seu passado, até chegar à sua origem: é possível que o asteroide tenha vindo de Vesta, um dos maiores asteroides que conhecemos no Sistema Solar.

O pequeno asteroide 2018 LA foi registrado inicialmente pelo programa Catalina Sky Survey, da Universidade do Arizona, que procura asteroides como parte do programa de Defesa Planetária da NASA. Eles notaram que havia um fraco ponto de luz se movendo em meio às estrelas; depois, com dados do SkyMapper Southern Survey, da Austrália, descobriram que se tratava de um asteroide que girava uma vez a cada 4 minutos.

A queda da rocha representou a primeira vez que a viagem inteira de um meteoro foi registrada, e a segunda em que foi possível observar um asteroide no espaço antes de entrar na atmosfera terrestre, tornando-se um meteorito ao cair no solo.

Confira a passagem do meteoro:

Conforme seguia para a Terra, o asteroide recebeu a ação de raios cósmicos, que criaram isótopos radioativos, que mostraram que o 2018 LA era uma rocha sólida, com cerca de 1,5 m de extensão. Inicialmente, a posição do asteroide na órbita era incerta, mas a equipe conseguiu determinar a área em que caiu. Assim, o pesquisador Oliver Moses e o astrônomo Peter Jenniskens se juntaram ao geólogo Alexander Proyer e ao geocientista Mohutsiwa Gabadirwe, junto de outros cientistas, para procurar os meteoritos.

A busca deu certo: eles encontraram um fragmento que pesava apenas 18 g e media cerca de 3 cm: “o meteorito foi chamado de 'Motopi Pan' com base em uma fonte de água local, e é um tesouro nacional de Botswana”, disse Gabadirwe, o curador atual do meteorito. Depois, análises mostraram que ele pertencia ao grupo howardita, eucrita e diogenita (HED), que inclui meteoritos conhecidos por provavelmente terem vindo de Vesta, o segundo maior asteroide conhecido. Para completar, outros estudos mostraram que a órbita do 2018 LA correspondia a uma origem da parte interna do cinturão de asteroides em que o Vesta está.

Jenniskens retornou a Botwana e descobriu que a equipe encontrou outros 22 meteoritos, que tinham aparência externa bastante diversa. Análises de cinco deles mostraram que também pertenciam aos HED, e mostraram que o asteroide em questão era uma mistura de rochas cimentadas, que estavam presentes em diferentes partes do asteroide Vesta. Como uma parte de todos os meteoritos HED que vieram para a Terra foram ejetados há 22 milhões de anos, este também podia ser o caso do Motopi Pan.

Os fragmentos do asteroide 2018 LA(Imagem: Reprodução/ANU)

Medidas de isótopos de gases nobres somadas a dados de isótopos radioativos mostraram que, de fato, o meteorito esteve no espaço como um pequeno objeto por 23 milhões de anos: "ele pode ser da mesma cratera de origem do Vesta", disse Kees Welten, da UC Berkeley. Por fim, os fragmentos encontrados foram usados para determinar se as rochas correspondiam àqueles do meteorito Sariçiçek, que caiu em 2015, também veio de Vesta e faz parte do grupo HED.

Então, apesar de terem semelhanças e diferenças, eles descobriram que ambos os meteoritos se solidificaram na superfície de Vesta há milhões de anos. Mesmo assim, o Motopi Pan tinha grãos de fosfato em sua estrutura que sugeriam um passado diferente: este meteorito teria experienciado um evento de derretimento mais recentemente, algo que não se aplica ao Sariçiçek.

O artigo com os resultados do estudo será publicado na revista Meteoritics & Planetary Science.

Fonte: SETI, Science Alert

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