Anãs brancas ficam mais magnéticas ao envelhecer, mas ninguém sabe por quê

Anãs brancas ficam mais magnéticas ao envelhecer, mas ninguém sabe por quê

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 30 de Setembro de 2021 às 08h40
Giuseppe Parisi

Quando estrelas semelhantes ao nosso Sol “morrem”, não há uma explosão em supernova, muito menos um colapso em buraco negro. Após uma grande expansão, elas voltam a encolher e então se tornam um objeto conhecido como anã branca, que levará bilhões de anos para esfriar por completo. As anãs brancas têm outras propriedades fascinantes, como um campo magnético poderoso, e um novo estudo sugere que esse magnetismo aumenta ainda mais à medida que as anãs brancas envelhecem.

Anãs brancas são possivelmente os objetos luminosos mais duradouros do universo, e talvez serão os últimos corpos a emitirem algum brilho. Isso porque esses “cadáveres” são, na verdade, os núcleos de estrelas que, ao passarem pela fase de gigantes vermelhas, ejetam suas camadas externas, deixando para trás apenas este “caroço” super quente, mil vezes mais luminoso que o Sol e com uma temperatura que pode chegar a 150.000 K.

Dizemos que elas são estrelas “mortas” porque esses objetos não aparentam ter capacidade de realizar a fusão de elementos químicos — embora alguns estudos estejam começando a descobrir o contrário. Elas não têm uma fonte de energia adicional e irão gradualmente irradiar sua energia, sem ter como repô-la, e esfriar. O núcleo, sem as reações nucleares das estrelas que lutam contra o colapso gravitacional, torna-se extremamente denso, com uma massa quase equivalente à do Sol contida em um volume comparável ao da Terra.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Pouco se sabe sobre as anãs brancas, e os estudos mais recentes trazem algumas surpresas chocantes. A nova pesquisa usou dados do observatório Gaia para encontrar algumas novas anãs brancas para seu catálogo, somando 100 novos objetos dessa categoria à “coleção”. Com isso, a equipe de cientistas observou o espectro de uma boa quantidade de amostras e mediu a intensidade de seus campos magnéticos.

Estrela do tipo anã branca no processo de solidificação, transformando-se em cristal (Imagem: University of Warwick/Mark Garlick)

O resultado foi algo inesperado: existe uma correlação entre a idade de uma anã branca e seu campo magnético. Quanto mais velha for o objeto, maior será a probabilidade de haver um magnetismo bem intenso, talvez devido ao próprio processo de resfriamento da estrela. Ainda não se sabe exatamente os mecanismos por trás desse fenômeno.

Em anãs brancas maiores e mais jovens, os campos magnéticos podem ser explicados por um mecanismo de dínamo, o mesmo existente em nosso planeta para gerar a magnetosfera que nos protege dos ventos solares. Mas, no caso das anãs brancas mais velhas, esse magnetismo é muito mais forte do que qualquer um criado pelo mecanismo de dínamo — ao menos aqueles que os cientistas conhecem.

Outros remanescentes estelares com campos magnéticos extremos são os magnetares, mas estes, diferente das anãs brancas, são um tipo de estrela de nêutrons, que por sua vez é o resultado do colapso de uma estrela azul, 10 a 20 vezes mais massivas que o Sol. O magnetismo de um magnetar é da ordem de 1 bilhão de teslas. Ainda não se sabe até onde a intensidade do campo magnético de uma anã branca pode chegar, mas elas podem ser um dos últimos objetos do universo a explodir em supernovas.

Para responder todos os mistérios que esse estudo implica, serão necessárias novas observações. A nova pesquisa está disponível no formato de arquivo de pré-impressão no servido arXiv e foi aceita para publicação no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Fonte: Universe Today

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.