Será que a ciência é capaz de desenvolver superpoderes na vida real?

Por Patrícia Gnipper | 23.03.2016 às 05:30

De acordo com o clássico RPG "Marvel Super Heroes", de 1984, existem cinco categorias básicas de super-heróis: humanos alterados, maravilhas tecnológicas, mutantes, robôs e alienígenas. Tudo dentro do universo da fantasia, claro. Mas será mesmo que com o avanço da tecnologia não seria possível desenvolver superpoderes na vida real?

Talvez ainda seja cedo para vislumbrar humanos alterados, seres mutantes e alienígenas entre nós, mas é perfeitamente cabível imaginar maravilhas tecnológicas (como as inteligências artificiais, por exemplo) e robôs adquirindo habilidades que, até então, consideramos como sendo superpoderes para os padrões do ser humano comum.

Humanos alterados, mutantes e alienígenas

Nessa categoria entram personagens como Wolverine, Deadpool e Superman.

Wolverine

Wolverine é o “nome de guerra” de Logan em X-Men, personagem que foi usado como cobaia em uma experiência governamental. No experimento, suas memórias originais foram substituídas por lembranças artificiais, e foi adicionado adamantium a seu esqueleto - uma espécie de liga metálica praticamente indestrutível. O humano alterado também ganhou a habilidade de super-regeneração celular, fazendo com que ele se recupere rapidamente de feridas e tenha seu envelhecimento retardado.

Deadpool

Outro personagem que fica no meio do caminho entre um humano alterado e mutante é Deadpool, cujo nome verdadeiro é Wade Wilson. O mercenário e assassino de aluguel participou de um programa ultrassecreto do governo também servindo como cobaia para experimentos científicos, assim como Wolverine. Wade, que sofria de um câncer incurável, teve sua doença temporariamente detida graças ao poder de cura que também foi implantado em Logan. No entanto, a experiência o deixou mentalmente instável, além de ter ficado com uma sequela que deixa sua face desfigurada.

Superman

E quem nunca ouviu falar em Superman, o “Homem de Aço”? Kal-El nasceu no planeta Krypton e foi enviado à Terra pelo seu pai momentos antes do planeta explodir. O foguete aterrissou em Smallville, onde o jovem alienígena com aparência humanoide foi descoberto e adotado por um casal de fazendeiros, que o batizou como Clark Kent. À medida que crescia, o futuro super-herói foi descobrindo que tinha habilidades diferentes dos humanos e passou a defender a Terra e seus habitantes usando sua capacidade de ser “mais rápido que uma bala, mais poderoso do que uma locomotiva, capaz de pular de prédios altos em um único salto”.

Bom, questões éticas e militares à parte, a nossa tecnologia ainda não é tão avançada a ponto de tornar realidade a ideia de alterar humanos e criar seres mutantes, e a existência de seres alienígenas ainda não foi comprovada pela ciência.

No entanto, a biologia quântica pode encontrar um caminho para transformar humanos em seres incríveis no futuro. Essa área da ciência, cujo maior expoente é o professor iraquiano de física Jim Al Khalili, tem estudado processos da natureza como a fotossíntese ou a metamorfose animal - aquela que permite com que girinos se transformem em sapos, por exemplo. Khalili acredita que esse processo possa ser aplicado em humanos para que nossos tecidos se regenerem mais rapidamente - assim como as habilidades de Wolverine e Deadpool.

Maravilhas tecnológicas

De acordo com a Lei de Moore (que talvez esteja chegando ao fim agora em 2016), a capacidade de transistores dos novos processadores desenvolvidos deve dobrar a cada 18 meses - quer dizer, com mais transistores, os processadores apresentam maior desempenho. Com essa progressão no desenvolvimento de novas tecnologias e no aperfeiçoamento das já existentes, o que pode ser um item de ponta hoje fatalmente se tornará obsoleto em alguns anos - senão antes.

Iron Man

Sendo assim, é perfeitamente sensato pensar que, com o avanço aparentemente desenfreado da tecnologia, muito em breve seja possível desenvolver algo similar ao incrível traje de Tony Stark - o Homem de Ferro. A armadura do Iron Man é equipada com um “raio repulsor”, que é expelido das palmas da mão do traje metálico, e faz com que Stark - um ser humano comum (“apenas” extremamente rico e influente) - seja capaz de voar em grandes altitudes.

Robôs

Talvez a categoria de super-herói que esteja mais próxima de sair do imaginário popular e ocupar um espaço real entre os humanos de carne e osso, os robôs já fazem parte do nosso mundo - mesmo que ainda não tenham superpoderes. Indústrias já os utilizam em larga escala na produção de bens de consumo e eles também já começaram a ser usados no setor de serviços, ameaçando posições de trabalho ocupadas por pessoas.

Terminator

Aliados às inteligências artificiais, que também já são realidade no século XXI, os robôs poderiam futuramente se tornar seres autônomos, inteligentes e independentes de nós, como já imaginado em uma imensidão de obras literárias e cinematográficas. Seguindo essa lógica, robôs poderiam ser equipados com habilidades superpoderosas, seja pelos seus criadores humanos ou por conta própria - o que faria com que fosse possível existir uma espécie de Skynet do futuro caótico apresentado pelos filmes “O Exterminador do Futuro”.

Muita calma nessa hora

Esse assunto pode gerar muito debate e preocupação por parte de pessoas ansiosas ou teóricos da conspiração, mas “muita calma nessa hora”: essas realidades, apesar de teoricamente possíveis, ainda fazem parte de um futuro distante, se é que farão parte da nossa realidade algum dia. Questões morais e éticas seriam uma grande barreira para o desenvolvimento de superpoderes, para começo de conversa.

Mas deixando tudo isso de lado, fica a pergunta: em uma realidade em que poderíamos desenvolver habilidades especiais de alguma forma, qual superpoder você gostaria de ter? E o principal: você acabaria se tornando um super-herói ou um supervilão?