Sequência de A Rede Social precisou mudar roteiro por medo de processos da Meta
Por Jaqueline Sousa • Editado por Jones Oliveira |
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Mais de 10 anos depois que David Fincher (Clube da Luta) apresentou ao mundo o icônico A Rede Social (2010), Mark Zuckerberg está de volta aos cinemas com O Outro Lado das Redes, filme que aborda um caso polêmico da Meta e que precisou passar por alterações para evitar possíveis processos judiciais.
Com Jeremy Strong (Succession) interpretando o dono do Facebook, O Outro Lado das Redes vai narrar os acontecimentos daquilo que ficou conhecido como Facebook Files. O caso, datado de 2021, consistiu na publicação de uma série de reportagens no The Wall Street Journal sobre pesquisas internas da empresa que revelavam os impactos negativos da plataforma nos usuários, principalmente adolescentes.
Os documentos, que foram vazados pela ex-engenheira e cientista de dados da empresa Frances Haugen, também mostravam como a empresa tinha conhecimento desses impactos, assim como a influência da rede na disseminação de discursos de ódio e fake news.
Diante de um caso tão delicado e controverso, o diretor Aaron Sorkin (West Wing), que roteirizou o filme de Fincher, contou ao The New York Times que foram necessárias algumas mudanças no roteiro para evitar uma represália da Meta.
“Em circunstâncias normais, com uma obra de não-ficção, o departamento jurídico do estúdio faria uma verificação minuciosa. Com este filme, eles contrataram um escritório de advocacia externo apenas para garantir que tudo o que fosse apresentado como fato realmente fosse um fato. Foi angustiante. As coisas que eu não pude dizer ou fazer foram angustiantes. A ironia é que estávamos dispostos a fazer uma verificação minuciosa dos fatos de um filme sobre uma empresa que se recusava a fazer o mesmo”, explicou Sorkin.
Receio de represália
Ainda falando ao The New York Times, Aaron Sorkin comentou que O Outro Lado das Redes não foi um projeto fácil, especialmente por causa de todo o escrutínio que seu roteiro recebeu do estúdio.
A análise minuciosa, conforme relatado pelo cineasta, foi necessária justamente para evitar qualquer tipo de represália que a Sony e todos os envolvidos poderiam sofrer da Meta, caso o filme não fosse bem-recebido por Zuckerberg e companhia.
“Aprovar esse projeto não foi uma decisão fácil. Além de tudo, você tem essa empresa fenomenalmente poderosa e com recursos ilimitados que pode te processar a qualquer momento. Pelo que sei, a Sony recebeu cartas da Meta, mas não acho que essas cartas diziam: ‘Desejamos a vocês toda a sorte do mundo, mandem ingressos para a estreia’”, comentou Sorkin.
Com estreia marcada para 22 de outubro, O Outro Lado das Redes tem Jeremy Strong interpretando Zuckerberg, papel vivido por Jesse Eisenberg no filme de 2010. O elenco também tem Mikey Madison (Anora) e Jeremy Allen White (O Urso).
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