Reboot, remake, retcon... Qual a diferença?

Reboot, remake, retcon... Qual a diferença?

Por Durval Ramos | Editado por Jones Oliveira | 23 de Setembro de 2021 às 10h20
Reprodução/Marvel Studios, Disney, Warner Bros.

Quem acompanha o mundo do cinema, séries e jogos já se acostumou a ouvir termos como remake, reboot ou retcon quando falamos sobre novos projetos. Aquele retorno de um filme clássico ou mesmo a modernização de uma série já bastante popular são coisas que estão cada vez mais comuns — afinal, são produções que chegam já com muito apelo e quase sempre representam um sucesso.

No entanto, quem não está tão acostumado assim com esse dialeto da cultura pop pode se perder diante de termos que, em nosso idioma, não dizem muita coisa. Para ser bem sincero, até quem é do meio costuma se confundir nesse palavreado todo, já que as diferenças entre esses conceitos nem sempre são claras.

Assim, para ajudá-lo a entender o que difere um remake de um reboot e como o retcon entra nisso tudo, o Canaltech traz alguns exemplos que vão ajudá-lo a não se perder quando se deparar com esses termos novamente e a apontar com exatidão quando algo assim surgir na sua frente em uma sala de cinema ou em seu streaming favorito.

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O que é um remake?

Vamos começar pelo mais simples. Um remake é literalmente algo refeito, como a própria tradução já deixa bem clara. Na grande maioria dos casos, trata-se de pegar um conteúdo que já foi feito antes e refazê-lo, podendo ou não adicionar pequenas alterações — seja para modernizar a técnica, trazê-lo para um contexto mais familiar ou mesmo atualizar conceitos dentro da própria trama.

A história de King Kong foi recontada em 2005 em um remake dirigido por Peter Jackson, de O Senhor dos Anéis (Imagem: Divulgação/Universal Pictures) 

O filme King Kong, de 2005, é um exemplo de remake que busca se manter fiel ao roteiro original, tanto que todo o roteiro mantém a mesma ambientação do início do século XX, assim como era no longa original de 1933. Nesse caso, o objetivo do diretor Peter Jackson era usar modernizar o clássico ao recontar aquela história com a tecnologia da época para deixar tudo mais crível.

Já os live action da Disney, como Aladdin e Rei Leão, não só mexem nessa técnica como mudam algumas coisas quando recontam suas histórias. E por mais que muitos fãs torçam o nariz quando isso acontece, existem pontos que envelhecem mal e precisam ser corrigidos nessas novas versões. Afinal, faz sentido pensar na princesa que precisa ser salva em pleno século XXI? E o remake funciona muito bem na hora de fazer esses pequenos ajustes.

Outro tripo de remake muito comum no cinema é o localização. São aqueles filmes estrangeiros que despertam a atenção de Hollywood a ponto de fazer com que alguém decida produzir uma versão hollywoodiana daquela história. O clássico do terror japonês O Chamado ganhou um remake nos Estados Unidos, da mesma forma que o thriller de ação sul-coreano Oldboy também acabou sendo refeito para os cinemas estadunidenses.

Os live actions da Disney nada mais são do que remakes das suas animações clássicas (Imagem: Divulgação/Disney)

A grande verdade é que os remakes se tornaram uma aposta bastante segura para os estúdios e produtoras e, por isso, passaram a ser cada vez mais comuns. Isso porque eles já chegam com uma base de fãs bem consolidada e que vai estar, no mínimo, curiosa para ver a nova versão. Basta pensar que todo mundo que cresceu vendo as animações da Disney se sente compelido a pelo menos dar uma chance aos live actions, o que se reverte em bons números de bilheteria.

É claro que essa estratégia nem sempre dá certo. O remake do clássico Vingador do Futuro se aproveitou de vários conceitos do filme estrelado por Arnold Schwarzenegger em 1990, mas a nova versão não agradou nem os velhos fãs e muito menos o novo público e amargou um enorme fracasso. Por outro lado, há remakes como Scarface e Onze Homens e Um Segredo, que conseguem ser mais icônicos do que os filmes originais.

O que é um reboot?

Em linhas gerais, um reboot não é tão diferente assim de um remake. Trata-se de reiniciar um universo para recontar sua história a partir de outra perspectiva, geralmente alterando seu elenco. Assim, ele ignora tudo o que foi feito até então para começar tudo do zero. É só lembrar de todas as vezes que mudaram o Homem-Aranha e mudaram o mundo à sua volta.

Em 20 anos, tivemos três versões do Homem-Aranha — uma para cada vez que o herói passou por um reboot (Reprodução/Sony Pictures)

Nesse caso, é muito mais comum a gente ouvir falar em reboot quando o assunto são séries e franquias. Não por acaso, os filmes de super-heróis são os que mais recebem esse tratamento. Além dos três recomeços que o Homem-Aranha já recebeu, também vimos isso acontecer mais de uma vez com o Batman. Quando o diretor Christopher Nolan estabeleceu sua trilogia, a Warner decidiu que queria um universo compartilhado e abandonou tudo o que existia até então para apostar na versão de Ben Affleck. Só que essa aposta não deu tão certo e eles partiram para um novo reboot com o vindouro The Batman, que será protagonizado por Robert Pattinson.

Nos videogames, o exemplo mais claro disso é com Tomb Raider, de 2013. O jogo pegou apenas o conceito da série e modernizou tudo em torno dele, mudando inclusive a postura e a personalidade da protagonista Lara Croft. Foi quase como se alguém tivesse apertado o botão reset e zerado toda a cronologia para começar um novo universo a partir dali — o que acabou servindo de inspiração também para o cinema.

O que é o retcon?

Dos três termos, o retcon é o mais incomum e o menos conhecido pelo pessoal. Isso porque ele acaba sendo muito mais comum em séries de longa duração, principalmente nos quadrinhos. Ainda assim, não é raro ver esse tipo de recurso sendo usado em filmes e séries.

O nome vem de continuidade retroativa (retroactive continuity, em inglês) e trata de histórias que alteram fatos que já foram estabelecidos no passado. Um exemplo bem clássico disso nas HQs é o congelamento do Capitão América durante a Segunda Guerra Mundial.

Marvel trouxe um novo Mandarim e arranjou uma desculpa para justificar a existência do personagem de Homem de Ferro 3 (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

Ao contrário do que vimos nos filmes da Marvel, o personagem seguiu em atividade mesmo após o término do conflito, quando passou a enfrentar inimigos comunistas. Só que, em 1964, a editora quis integrá-lo aos Vingadores e decidiu dizer que nada daquilo que os leitores tinham visto nos últimos 20 anos era verdade, já que o herói estava congelado durante esse tempo todo. Assim, eles inventaram que o personagem que atuou nessas duas décadas era um impostor — algo que nunca tinha sido pontuado até então.

Essa é a essência do retcon: reescrever o passado adicionando algo novo que vai impactar as histórias retroativamente. No Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês), isso já aconteceu algumas vezes, seja quando o estúdio se arrependeu de ter mostrado a Manopla do Infinito no cofre de Odin e inventou que o artefato era falso ou quando se dobrou às críticas dos fãs após Homem de Ferro 3 e fez com que existisse um verdadeiro Mandarim além do ator que enganou o mundo. Há toda uma explicação em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis para justificar essa mudança.

Portanto, o retcon costuma ser usado justamente como uma forma de ajustar pontos da história para que uma nova ideia funcione. Assim, um personagem que morreu no passado pode reaparecer vivo se for servir ao roteiro — aí é só inventar uma desculpa para justificar como ele enganou todo mundo.

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