Quem é Bryan, novo protagonista de Resident Evil?
Por Diego Corumba • Editado por Jones Oliveira |
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O filme de Resident Evil apresentará Bryan Hodukavich, um novo protagonista para a franquia que completou 30 anos em 2026. Contudo, muitos fãs estão confusos com essa decisão, já que o personagem nunca existiu nos games ou interferiu nos principais eventos deste mundo.
Em uma mistura entre Resident Evil: O Hóspede Maldito (2002) e Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City (2021), o diretor Zach Cregger (A Hora do Mal e Noites Brutais) decidiu inserir uma figura desconhecida no apocalipse zumbi que definiu toda uma geração nos anos 1990.
No longa mais antigo, Alice liderava a narrativa como uma heroína inédita que se conectava ao universo de uma forma única. Na última versão, o objetivo era recriar fielmente o que foi visto nos videogames. Agora, a ideia é tornar a figura em um híbrido entre essas duas propostas.
Para você se preparar para a estreia da produção, hoje o Canaltech explica tudo sobre Bryan e como ele pode se tornar o rosto de Resident Evil nos cinemas a partir desta história.
O que sabemos sobre Bryan?
Interpretado por Austin Abrams (A Hora do Mal e The Walking Dead), Bryan Hodukavich é uma pessoa que transporta órgãos pela companhia Lightfoot Medical Transport. Seu trabalho, tecnicamente, é salvar vidas ao levar partes do corpo humano para médicos realizarem transplantes.
É uma tarefa digna de um herói, algo louvável de garantir o dinheiro. Contudo, o personagem sofre com dilemas monetários e a carreira não dá conta de sustentá-lo na forma como vive seu cotidiano. Para equilibrar as coisas, ele aceita um transporte “por fora” para ganhar o dobro do lucro que costuma render.
É deixado em sua mão um pacote misterioso, com o objetivo de ser entregue no hospital geral de Raccoon City. Sem pensar duas vezes, ele parte em uma viagem que pode ser a maior de sua carreira — já que não tem a menor noção do que se esconde no lugar.
Ele possui uma namorada chamada Michelle e, aparentemente, o casal passa por um problema amoroso. Em uma das prévias, pode-se notar que eles discutem sobre Bryan não ir até ela na noite para conversarem pessoalmente sobre o relacionamento.
Em outro trailer, ela sequer atende o número pelo qual ele ligou — talvez sua última tentativa de manter contato antes de presenciar os maiores horrores que a emblemática cidade esconde. O que ocorreu é deixado em segundo plano, enquanto zumbis e outros experimentos biológicos vão tomar a sua atenção.
No entanto, é notável que sua dedicação é digna de nota: mesmo com zumbis, caos na vida amorosa e sob risco de morte, ele mantém a sua palavra de que entregará o pacote onde precisam: mesmo que isso custe a sua própria saúde no trajeto.
Mergulho em Raccoon City
De acordo com entrevistas do diretor de Resident Evil, Bryan servirá como um ponto para guiar o público dentro dos eventos que foram vistos nos jogos originais. Ele estará no epicentro do apocalipse dos mortos-vivos, enquanto ainda há sobreviventes e ameaças que heróis como Leon, Claire e Jill não encararam.
Como entregador, ele pode ter uma certa resistência física. Porém, não há treinamento militar ou preparo para enfrentar os perigos da cidade de Raccoon City. Em determinados momentos dos vídeos sobre o longa, pode-se notar que ele apelará para duas alternativas: atirar no que se mover ou correr.
A intenção não é torná-lo um grande herói ou mostrá-lo como um protagonista que se tornará o farol da franquia no futuro. Ainda assim, seu papel tem como objetivo mostrar o que é ser uma pessoa comum em meio aos fatídicos eventos provocados pela Umbrella Corporation.
Como uma homenagem às três décadas de Resident Evil, é possível que o filme o faça passar por lugares icônicos — como a delegacia, a torre do relógio e a loja de armas de Kendo. Porém, não aguarde uma grande imersão nestes locais.
Já foram mostradas cenas no hospital, local no qual Bryan precisará entregar seu pacote. Na experiência, é possível que sejam mostrados mais detalhes sobre o local que abrigou Jill Valentine e as coisas que passavam por ali no início da tragédia.
Deste modo, o papel do protagonista é mostrar ao público como estes lugares foram da normalidade ao apocalíptico em poucas horas. Um momento que reforça isso é sua vivência nestes ambientes, assim como a missão que foi oferecida por uma médica.
Um novo ponto de vista
Com essas informações em mente, o herói é descrito pelo diretor como um “idiota” e uma pessoa “inepta à sobrevivência”. Talvez isso traga um certo humor ao filme de Resident Evil, mas o principal objetivo é entregar a experiência de como a cidade caiu em desgraça.
Não é impossível que apareça, em algum momento, Jill Valentine ou até Albert Wesker para se conectar aos títulos originais, mas não conte muito com isso. A ideia de Zach Cregger é contar uma história nova, que não dependa destas figuras para funcionar.
Diferente de Alice em 2002, que se costurou dentro da narrativa que já existia nos games, Bryan atuará em paralelo a eles, sem interferência direta. Talvez sua vivência no longa esteja mais próxima de Resident Evil Outbreak do que da franquia principal.
No título de 2003, acompanhamos um grupo de pessoas comuns nas primeiras horas do desastre. Enquanto tentam sobreviver, encontram desafios intensos e que funcionam de forma complementar ao que foi mostrado na saga original.
Isso pode até jogar uma nova luz em quem tem grandes expectativas: o objetivo de Bryan não é derrubar a Umbrella ou descobrir segredos obscuros que resolverão toda a história. É chegar vivo no hospital, entregar o que precisa e fugir na sequência.
Além disso, não é recomendável esperar por uma forte conexão do personagem com este universo ou imersão na forma como ele interage nesta realidade. O diretor já garantiu que veremos contexto no início e, depois disso, será como uma grande cena de ação que o seguirá do início ao fim.
O futuro de Bryan
A permanência do personagem depende de diversos fatores que devem ser levados em consideração. O principal é: Bryan sobreviverá à aventura? Talvez ele cumpra a sua missão, mas se chegar ao hospital vivo terá um alto custo, sair de Raccoon City não é menos desafiador.
A Sony Pictures e Zach Cregger não têm o menor vínculo do herói com a franquia em geral, o que deixa o seu destino em aberto até a cena final da obra. Ele não precisa sobreviver até a história chegar em determinado jogo ou encontrar alguma figura relevante dentro do seu universo.
Na hipótese de o personagem sobreviver, há outro impasse: o próprio Zach Cregger confirmou que não voltará em uma continuação, logo há a chance de o ator Austin Abrams seguir o mesmo caminho. Logo, Sony e Capcom teriam de encontrar outra direção para a saga
Ou seja, não espere que verá o “Efeito Alice” se repetir aqui. Possivelmente sigam com histórias separadas, que mostram momentos distintos dos títulos originais, em vez de acompanhar a jornada de um personagem só. Ela ainda possuía a justificativa de ter sido criada pela Umbrella, diferente de Bryan.
Quando Resident Evil chegar aos cinemas, em 17 de setembro de 2026, torça pelo herói e para seguirem decisões que façam sentido dentro da trama — sem forçar continuações ou uma conexão mais forte com os jogos, quando esta não é sequer a proposta central.
Todavia, leve em conta que será uma história de começo, meio e fim. Pode não haver impacto algum nos videogames, então o ideal é alinhar as suas expectativas para não acreditar que verá o início de uma verdadeira saga ou um apego sem medidas na propriedade intelectual.
Isso se não ocorrerem problemas no próprio mundo real: o novo trailer de Resident Evil mostra cena em que ator quase morreu de verdade. Logo, tudo pode mudar em poucos instantes.