Por que as séries não têm mais abertura como antigamente?
Por Jaqueline Sousa • Editado por Jones Oliveira |
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Já parou para pensar em uma abertura de série lançada recentemente que tenha te marcado pela combinação entre visuais criativos e uma música envolvente? A resposta para essa pergunta pode não vir tão rápido, pois aberturas de programas de televisão vem se tornando cada vez mais raras hoje em dia.
Se, antigamente, sequências de créditos iniciais serviam como um mecanismo para definir o clima da série e conduzir o público ao que seria apresentado na trama, atualmente o que temos, na grande maioria das vezes, são cartões de títulos que surgem na tela por poucos segundos e logo desaparecem, passando longe da criatividade das aberturas antigas.
Séries como Buffy, a Caça-Vampiros e Friends, por exemplo, criaram todo um universo com suas aberturas, que são lembradas até os dias de hoje pela maneira como ajudaram a consolidar suas marcas na TV. E não é nem que essa arte tenha entrado em total extinção na era dos streamings, já que serviços como a Apple TV e a HBO seguem apostando em aberturas tradicionais para algumas de suas produções.
Mas o que mudou exatamente para que o modelo antigo de aberturas de séries de TV tenha sido substituído por cards de títulos sem graça? O Canaltech explica a seguir.
O botão “pular abertura”: o começo do fim
Se você já pulou alguma abertura de série durante uma maratona no streaming, porque queria assistir ao episódio logo sem ver uma sequência de nomes surgindo na tela, saiba que esse foi um dos comportamentos que mais influenciaram a quase extinção das aberturas tradicionais na TV.
Popularizado pela Netflix, o botão de pular a abertura de uma produção pode parecer inofensivo, principalmente quando você está maratonando uma série e acha repetitivo ficar assistindo à abertura em todo episódio. Contudo, isso revelou para os serviços um cenário de desinteresse em relação a essas sequências, já que, ao pular os créditos iniciais, o público demonstrava que queria ir direto para o episódio sem ter que passar por essa preparação toda.
Diante disso, não é de admirar que os streamings tenham começado a desistir das aberturas elaboradas, apostando em cards de títulos mais simples e até mesmo sem graça (como uma tela preta com o nome da série) para otimizar a maratona.
Logo, sem precisar esperar mais de um minuto para retomar ou começar o episódio, o botão de pular a abertura se tornou um jeito de captar a atenção do público rapidamente para que ele não sinta que está “perdendo tempo”, ou perca o interesse de continuar assistindo ao programa por causa de uma “interrupção”.
Ao eliminar os créditos de abertura tradicionais, serviços de streaming encontraram uma maneira de manter seus assinantes mais engajados com seus conteúdos, acelerando o processo para prender a atenção do público com maior facilidade. Se você reparar, essa era de aceleração foi tão longe que até mesmo séries com cartões de títulos breves recebem o botão para pular abertura para quem não quiser perder milésimos de segundos olhando para uma vinheta.
Velocidade para economizar tempo
Na era dos algoritmos, os serviços de streaming tem olhado para os dados como minas de ouro. Se aberturas tradicionais de séries estão provocando o tédio daqueles que não querem perder tempo assistindo a nomes de atores e profissionais da área passando na tela, muitas empresas otimizaram esse processo ao máximo para evitar quedas de audiência.
Sendo assim, o modelo tradicional passou a não funcionar mais com o público acostumado a maratonar episódios consecutivos, um modelo popularizado pela Netflix que ajudou a implementar no mercado essa ânsia por mais velocidade, algo que afeta até mesmo o desenvolvimento da trama. Afinal, se um episódio não capta a atenção do usuário em poucos segundos, as chances dele abandonar o programa hoje em dia são altíssimas.
É por isso que aberturas de séries icônicas, como Família Soprano e Mad Men, começaram a entrar em decadência. Se antes elas ajudavam a estabelecer o universo da produção, hoje são vistas mais como uma interrupção indesejada do que uma criação artística relevante para o contexto.
Sem contar que, sem o interesse de grande parte do público pelas aberturas, as empresas não veem mais sentido em deslocar valores altos do orçamento para fazer uma sequência de créditos elaborada. Até porque, se a audiência vai pular essa abertura na hora da maratona, não iria fazer muito sentido gastar rios de dinheiro em algo mais refinado.
A luz no fim do túnel
Embora o cenário pareça desolador para quem ama uma longa e elaborada abertura de série de TV, o botão de pular não matou completamente as sequências de créditos iniciais. Nadando contra a maré, a Apple TV e a HBO são duas plataformas do mercado que seguem apostando no modelo tradicional.
No caso da HBO, temos A Casa do Dragão, por exemplo, que seguiu o modelo de sua antecessora, Game of Thrones, para definir a atmosfera do enredo. Já a Apple TV tem Ruptura, Ted Lasso e Falando a Real, sucessos do streaming0 que contam com aberturas bem-feitas.
A Netflix, por sua vez, apesar de ter ajudado a popularizar as vinhetas rápidas, não abriu mão do modelo tradicional para fazer as aberturas de Stranger Things, Dark e La Casa de Papel, apenas alguns exemplos que apostam em criações diferentes para apresentar os créditos de suas respectivas produções.
Olhando para essas exceções, é possível dizer até que as aberturas de séries de TV não morreram definitivamente. Tornaram-se mais escassas, sim, mas ainda existem programas que apostam nesse artifício hoje em dia, mostrando que o modelo antigo ainda tem voz na era dos streamings.
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