Playboy vai parar de publicar fotos de mulheres nuas por causa da internet

Por Redação | 13 de Outubro de 2015 às 10h30

O fim de uma era. O término de uma geração. A queda de um marco. O adeus de um símbolo. Chame como você quiser, mas o efeito é o mesmo: a internet matou a revista Playboy. Ou pelo menos a parte que todo mundo conhecia, já que a publicação vai deixar de trazer ensaios sensuais para tentar se readaptar aos novos tempos.

A notícia caiu como uma bomba nas memórias de todo mundo. Em entrevista ao jornal New York Times, o diretor-executivo da marca, Scott Flanders, confirmou a informação e disse que essa será a maior transformação que a revista vai passar ao longo dos seus 62 anos de história. E a razão para isso é exatamente a internet.

Para Flanders, a pornografia no meio online foi a grande responsável pela transformação da Playboy. Segundo ele, as pessoas estão a apenas um clique de todo o sexo imaginável no mundo e que todo esse conteúdo está disponível gratuitamente. Assim, fazer com que o grande atrativo da revista seja mesmo as fotos de garotas nuas é se prender ao passado e, por conta disso, uma reestruturação se viu mais do que necessária.

Apenas para ter uma noção do impacto que a pornografia online teve sobre a publicação, o New York Times afirma que, em 1975, a tiragem média da revista era de 5,6 milhões de exemplares. Atualmente, esse número gira em torno de 800 mil. Em outras palavras, uma redução de quase 86% em apenas 40 anos.

Playboy

Porém, apesar dessa reformulação drástica, algumas coisas vão continuar inalteradas, enquanto outras ainda precisam ser discutidas. Mesmo sem a presença das mulheres em poses provocantes, o corpo editorial da Playboy ainda não sabe se o famoso pôster na parte central da revista será removido — o que pode ser o fim também para uma era de enfeites de borracharia. Além disso, pelo menos lá fora, os textos sobre sexo continuarão a ser publicados, mas todos escritos por uma jornalista.

Por outro lado, as chamadas Playmates devem continuar, mas um pouco mais comportadas. Como o site Engadget aponta, elas aparecerão quase como em uma foto do Instagram, ou seja, sem mostrar nada mais do que o permitido pelos bons costumes.

Apesar da declaração ter surpreendido muita gente, a verdade é que todo mundo já tinha notado esse cenário há muito tempo. Embora Scott Flanders esteja comentando da versão norte-americana da publicação, um cenário parecido se desenha aqui no Brasil. Basta você puxar pela memória e lembrar que a presença de uma atriz, artista ou celebridade na capa da Playboy era um grande evento no passado e que, atualmente, é difícil reconhecer quem está ali. Tanto que os adolescentes não têm mais a revista como referência em termos de iniciação sexual há alguns bons anos.

Desse modo, pelo menos nos Estados Unidos, a publicação deve se concentrar mesmo em outra característica: as entrevistas. Embora muita gente faça piada sobre o assunto, a verdade é que a Playboy sempre foi conhecida por suas conversas com figuras ilustres. Tanto que, ao longo desses 65 anos de história, ela já entrevistou pessoas como John Lennon, Martin Luther King Jr, Fidel Castro e Malcolm X.

A nova versão da Playboy deve chegar às bancas em março do ano que vem.

Via: NBC News, Engadget

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.